Antônio Alexandre faz ‘Samba do Bem’

A ideia surgiu durante uma feijoada beneficente, cerca de um ano atrás.

Antônio Alexandre foi participar do evento e se incomodou quando viu a banda escalada para tocar chegando atrasada, com músicos nada animados.

– Eu falei para a organizadora: ‘Ano que vem eu que vou tocar, tá?’.

A música, desde que tinha seus 19 anos, é o hobby que dá gosto à rotina. O sonho seria viver dela, mas, barrado pelas dificuldades do cenário artístico, Antônio encontrou formas de colocá-la em cada folga.

Até essa tarde de feijoada, porém, nunca havia pensado em somar música à solidariedade. Depois da primeira nota de ideia, passou a compor ritmada melodia.

Tem muitos sambas que falam do bem. Entre letras e acordes, cantam a mensagem da solidariedade. Antônio quis mais do que cantar.

Seu “Samba do Bem” é trabalho dentro e fora dos palcos.

Reuniu uma turma de músicos que se deixaram contagiar pela ideia e passaram a fazer música por solidariedade.

O grupo – de repertório brasileiro – toca em eventos filantrópicos de maneira gratuita e, em festas e outros eventos, pede doações de alimentos e fraldas como pagamento.

O pouco que recebem em dinheiro dividem entre a manutenção da banda e a compra de doações específicas, que chegam com a demanda.

Já participaram de evento em Santa Cruz das Palmeiras, ajudando a levantar fundos para construir a casa incendiada de uma idosa. Fizeram festa para uma casa que abriga mulheres vítimas de violência. E perdem as contas dos shows para ONGs e instituições filantrópicas nesses 12 meses de samba bondoso.

A agenda deste julho, aliás, ficou cheia de feijoadas beneficentes para todo lado. Incluindo, claro, aquela da ONG que motivou todo o projeto.

– A gente torna a música ao vivo mais acessível, levanta a bandeira da música brasileira e ajuda a quem precisa. Só é possível conseguir depois que damos o primeiro passo!

Samba do Bem banda Ribeirão Preto História do Dia

Essa história tem indicação de trilha sonora. Antônio canta a música “O bem” de Arlindo Cruz, já no final da entrevista.

A canção fala sobre a solidariedade “que ilumina o sorriso, dá proteção, estende a mão” e é lema do “Samba do Bem”, como só poderia ser.

A música nasceu em Antônio com uma amizade. Um grande amigo tocava violão e a ele cabia a função de cantar. Passavam noites e noites nessa parceria, até Antônio Alexandre se mudar para São Paulo, por volta dos 19, 20 anos.

Lá na terra da garoa, fez faculdade de Publicidade, montou negócio próprio, se casou pela primeira vez e deixou o fazer música de lado. Os ouvidos, porém, continuaram bem atentos.

– Passei alguns anos longe de cantar, mas conhecendo muita música.

Em frente à gráfica que ele abriu havia uma banca de revistas. Alexandre se encantou com uma coleção de CDs de música brasileira lançado na época, década de 90. A cada semana, chegava um CD novo: Cartola, Milton Nascimento, e por aí vai.

– O dono da banca já guardava para mim! A cada semana, eu estudava um cantor brasileiro diferente.

Passou 10 anos em São Paulo e, quando voltou, já estava “especialista” na música que tanto ama. Veio depois que seu negócio próprio quebrou e o fim do casamento chegou.

Mas, de volta a Ribeirão, reencontrou o amigo das antigas e passaram a animar a vida com a parceria de outrora. Iam para os bares, levavam o vilão para tocar à capela.

– Mas a gente percebia que sempre tinha alguém querendo ouvir! Vindo para perto.

Em uma dessas noites, foram ao bar prestigiar o show de um amigo, que não apareceu. O dono precisava de músicos para substituí-lo. O parceiro do violão fez o convite:

– Vamos cantar?

Não pararam mais! Tocavam em barzinhos, na casa de uma grande amiga que fazia palco do quintal: levaram a música para a rotina!

Cerca de sete anos atrás, Antônio decidiu dar mais um passo na jornada musical. Criou um show em homenagem a seu grande fã e contagiou os palcos da cidade cantando Gonzaguinha. Levou o espetáculo para o Theatro Pedro II, Sesc.

Há uns seis anos, conta cheio de alegria, abriu um show do Toquinho.

Nessa trajetória, gravou três CDs e compôs mais de 10 músicas próprias.

Fala de uma, das mais especiais. Fez para aquela amiga que abria o quintal de casa para os encontros musicais. Ela enfrentou o câncer de mama e tinha tanta “Pressa de Viver”, que deu nome à canção.

Antônio Alexandre canta um trechinho em meio à entrevista.

Pouco depois, um bem-te-vi amarelinho se aproxima do banco do parque onde estamos. Pia algumas notas. Música contagia!

 

 

Unir música à solidariedade aproximou ainda mais a sonoridade da rotina. Antônio Alexandre, 47 anos, trabalha hoje como corretor de imóveis.

Com o “Samba do Bem” se tornando conhecido, ocupa finais de semana e muito mais com a agenda de eventos.

– Quanto mais a gente ajuda, mais quer ajudar. E mais pessoas precisando aparecem.

Ele perdeu as contas da quantidade de alimentos, fraldas e outros produtos arrecadados. Mas estima que já tocaram em mais de 20 eventos em um ano.

A entrega começa antes do show. É preciso montar toda a aparelhagem, organizar o som para que tudo esteja em ordem. Depois da apresentação, vem o trabalho do desmontar.

Em média, Alexandre precisa destinar entre seis e sete horas por dia em um evento. Diz, ainda, que investiu cerca de R$ 10 mil em aparelhagens de som.

O grande desejo é continuar cantando e fazendo o bem. Ver o projeto se estruturar – e se manter.

– O que eu quero é estar entre pessoas com sensibilidade para entender a música brasileira e nosso propósito.

O que é a música? Ele não consegue responder com uma única frase.

– É uma fonte de informação muita grande. É muito abstrato. A música pode conduzir uma nação, formar opiniões. Vários movimentos nasceram ligados à música.

Somar música com solidariedade? Ele explica o que sente:

– É muito Robin Wood: tirar de quem tem para dar a quem não tem. A gente sabe que não vai conseguir equilibrar essa balança, mas tenta fazer um intercâmbio entre quem tem vontade de ajudar e quem precisa de ajuda.

Arlindo Cruz já cantou:

“E ver que todo mundo é capaz

De ter um mundo só de amor e paz

Quando faz só o bem”

Para que o “Samba do Bem” continue – sempre – a cantar!

 

 

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Todos os 3 comentários
  • Alexandre
    Responder

    Muito boa essa história, particularmente sou amigo do Alexandre meu xará rs e ele é um parceirão, pessoa do bem fazendo Samba do Bem. Parabéns a idealizadora desse projeto lindo.

    • Daniela Penha
      Responder

      Muito obrigada, Alexandre! Grande abraço!

  • eva ribeiro
    Responder

    ola maravilhoso, parabéns que Deus lhes deem muitos anos de vida e muita saúde, para continuar, abraços

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