Com transplante, Moara ganhou vida nova

 

Dia Nacional da Doação de Órgãos - História do Dia - Transplante da Moara

Por sete anos, Moara Pereira da Silva não pôde fazer planos. Agora, acumula um monte deles.

– Menina, eu quero fazer muita coisa! É como se eu tivesse nascido de novo! Quero fazer tudo o que eu não fiz.

Dor e solidariedade somadas lhe deram vida nova.

A família que perde alguém querido é a mesma que compartilha vida.

– Mesmo com o coração dilacerado, essa família decidiu doar vida para alguém… Eu só agradeço!

Um fígado novo, que chegou de avião, deu para Moara, aos 35 anos, a possibilidade de fazer planos.

No dia 20 de agosto ela passou por um transplante no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto.

Hoje, no Dia Nacional da Doação de Órgãos, ela dá razões para somar solidariedade à dor da perda, multiplicando vida.

De acordo com o Registro Brasileiro de Transplantes, da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos, de janeiro a junho deste ano foram realizados 4.208 transplantes de órgãos no Brasil.

No Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto foram realizados 270 procedimentos de janeiro a julho, conforme informou assessoria de imprensa da instituição.

No estado de São Paulo, 14.402 pessoas aguardam um novo órgão na fila.

– Como eu tô? Eu tô ótima! E ainda tô em recuperação… Imagine depois!

Moara ganhou vida nova!


As manchas roxas deram o alerta. Moara descobriu, em 2010, que era portadora da Síndrome de Budd-Chiari, que afeta diretamente o fígado.

As idas e vindas de Brodowski – onde mora – ao Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto passaram a ser constantes. Uma vez por mês, Moara precisava passar por paracentese, para a retirada do líquido que se formava no abdômen e causava muito inchaço.

Ela não podia se alimentar, caminhar, sair de casa. Sentia dores no corpo e mal estar frequentes.

– Nunca fui de reclamar, porque tenho muita fé em Deus. Mas foi muito sofrimento.

Em 2012, se casou com o companheiro que ajudava a enfrentar a doença. Não pôde, porém, realizar o sonho de entrar na igreja com vestido de noiva e fazer festa. Limitou sua alegria ao civil e guardou o plano para o futuro.

– Quando fizermos 10 anos de casamento, quero casar de novo, com vestidão. Viver o que eu não vivi.

Em setembro de 2014, tratando da síndrome, Moara descobriu um câncer no fígado. O transplante, então, passou a ser a única alternativa.

No final de 2016, ela entrou para a fila, à espera de um órgão.

Dia Nacional da Doação de Órgãos - História do Dia - Transplante da Moara

Antes da ligação decisiva, foram dois alarmes falsos.

Em um deles, Moara chegou a ir até o hospital, mas o transplante não foi realizado.

No dia 19 de agosto, por volta das 22h30, ela estava na casa da mãe quando o telefone tocou. Tinha que estar no Hospital das Clínicas às 6h do dia seguinte.

– Na minha família, ninguém dormiu! Mas eu dormi. Eu estava em paz. Com a minha fé em Deus.

Foram cinco horas de cirurgia e oito dias de hospital antes da alta. A cirurgia foi um sucesso! Ou “um milagre”, na fé e nas palavras de Moara.

Ela ainda está em recuperação, tomando medicação, controlando a dieta. Já sente, porém, a vida recomeçar.

– Comer sem sentir azia, dormir uma noite inteira, caminhar: são coisas simples que a gente não dá valor! Parece que eu nasci de novo.

Entre os tantos planos do futuro, tem um como prioridade.

Junto a outros pacientes que conheceu no HC, quer criar uma associação para pessoas que ainda aguardam o transplante na fila.

– Quero ajudar as pessoas porque eu sei o quanto faz diferença uma palavra amiga, um sorriso.

Pela solidariedade, Moara, aos 35 anos, sente a vida recomeçar.

– A gente passa a dar outro valor, ver a vida de outra forma…

Sua lista de planos é agora ilimitada.

 

Quer ser um doador de órgãos?

Informe-se aqui: http://www.adote.org.br/seja-um-doador

 

Crédito da foto: arquivo pessoal de Moara

 

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