Gêmeos Moisés e Messias deixaram a Bahia pelo sonho de dançar

Os passos são sincronizados.

Os dois à direita. Os dois à esquerda. Bate palma, dá uma quebradinha. Tudo ensaiado para o grande palco, que é o Calçadão de Ribeirão Preto.

Ali, em meio ao vai e vem de gente, os gêmeos sincronizam os passos e o sonho.

Deixaram a Bahia para dançar axé pelas cidades de São Paulo. Amenizam a saudade da mãe com o carinho que recebem.

– As pessoas abraçam, aplaudem, mandam mensagens. As críticas existem, mas os elogios também. Estamos lutando pelo nosso sonho.

A dupla Swingueira e Quebradeira quer dançar e espalhar o axé por todos os lados. O objetivo maior vai além da fama, porém.

Dupla Swingueira e Quebrada Ribeirão Preto dança História do Dia

Moisés e Messias de Souza Santos, 24 anos, cresceram em Salvador, na família de seis irmãos. Quando os gêmeos tinham cinco anos, o pai faleceu com um infarto.

Coube à mãe a função de ser pai, mãe, gestora da casa.

– Minha mãe é tudo para mim.

Bem por isso, toda vez que falam dela os meninos se emocionam.

– A saudade é muita. A gente não sente o gosto da comida como se fosse a de nossa mãe.

Na Bahia, eles começaram a trabalhar na adolescência. Messias aprendeu com um primo a cortar cabelos. Moisés trabalhava como barman, garçom.

A dança, nessa época, ficava restrita às festas e horários de lazer.

Decidiram focar no sonho quando já estavam com quase 18 anos.

– Nós falamos: “É agora! Tudo ou nada”. Se os cantores chegam, a gente também pode chegar lá.

Não fizeram cursos. Mas os ensaios, desde então, são intensos. Aprendem em vídeos na internet, inventam os próprios passos sempre juntos, como Messias diz:

– Um ajuda o outro. Se tem erros, um procura mostrar para o outro que está errando!

O impulso para deixar a Bahia veio de Moisés. Sua ex esposa morava em Guaíra e ele não aguentou ficar longe da filhinha de três anos.

O relacionamento, porém, não durou.

– Ela tinha ciúme. Não queria que eu dançasse. Dançar é o que eu gosto de fazer. Eu sempre fui assim.

O irmão, como fora durante toda a vida, acompanhou Moisés na mudança. E, mesmo com o fim do casamento, os dois decidiram ficar e tentar o sonho.

Dividem a mesma casa, a mesma rotina, os mesmos horários.

Começaram a dançar em Guaíra e hoje já dão aulas de dança por lá. Se apresentaram no Carnaval e em eventos na região.

No Calçadão de Ribeirão Preto, palco a céu aberto, cativam quem passa.

– Nós dançamos e mostramos a cultura da Bahia para o pessoal de Ribeirão Preto. Para eles verem que existe o axé.

Os irmãos querem que a dupla Swingueira e Quebradeira seja conhecida Brasil afora, para que possam viver da dança que tanto amam. O objetivo final, entretanto, vai além da fama.

– A gente quer ajudar nossa família. Ajudar nossa mãe.

Parte do que ganham por aqui vai lá para a Bahia, somar às despesas da casa.

No Dia das Mães a saudade bateu mais forte. Mas Moisés conta que tiveram um motivo para comemorar. Mandaram um dinheirinho para que a mãe fosse ao salão de beleza.

– Ela fez o cabelo dela. Ficou bonita! A gente fez um vídeo e mandou pelo whatsapp.

Messias complementa:

– Minha mãe lutou muito para criar a gente. E sempre mandou seguirmos nossos sonhos.

Quando a entrevista termina, está chovendo no Calçadão.

Os meninos buscam uma tenda e continuam o show.

Os dois à direita. Os dois à esquerda. Bate palma, dá uma quebradinha. O sonho está sincronizado e não pode parar!

 

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