Lady e Vick: as cachorras voluntárias do lar de idosos

É dia de lar! Lady e Vick esperam na porta a hora do passeio. Não latem, aceitam todo carinho, respondem de imediato ao chamado das donas. Depois de dois anos e meio de trabalho semanal, sabem bem a postura de voluntárias.

As cachorras chegam e o Lar Santa Rita de Cássia se desmancha em suspiros. Quem não gostava de cachorro, passa a gostar. Quem já gostava, relembra o carinho de uma suculenta lambida em forma de beijo.

A alegria contagia os idosos que moram ali e toda a equipe. Não há quem resista ao abraço da Vick e ao cafuné nos pelos fofos da Lady .

Maria Torres de Oliveira, 78 anos, foi morar no lar este ano. Tomou a decisão porque não queria “atrapalhar” a vida da família, como explica. Diz que, até então, não se dava bem com bichos.

– Eu não tenho jeito…

Não tinha. Com Vick e Lady, se derrete toda. Passa a mão, abraça, dá risada e esquece dos problemas.

– Eu consigo me aproximar delas. Coisa que eu nunca fiz na vida!

O senhor que normalmente passa a tarde vendo televisão, se levanta do sofá para fazer carinho na Lady. A senhora que no dia a dia não é de papo, solta gargalhadas gostosas quando ganha uma lambida.

Se Lady e Vick se esquecem de passar em algum quarto, é confusão. “Esqueceram de mim?”, a senhora vai logo cobrando.

Vick e Lady chegaram. O Lar Santa Rita está em festa!

O projeto Pets da Alegria começou com a ideia da Denise e total apoio da Sílvia. Denise Mara da Silva, 51 anos, conta que sempre quis desenvolver um projeto social. Apaixonada por cachorros, começou a pesquisar sobre a cãoterapia e decidiu implantar a ideia.

Faltava o principal, porém. Para ser terapeuta, o cão precisa ser tranquilo, obediente, aceitar todo tipo de carinho. Os cachorros que a Denise havia adotado das ruas até então – atentados que só – não se encaixavam no perfil.

Seria preciso um voluntário.

Sílvia Helena Sartorato, 50 anos, nunca havia tido um cachorro. Morava em apartamento e não cogitava a ideia. Lady foi paixão totalmente à primeira vista.

A cachorra de um amigo deu cria e a filhote nasceu menor que as outras. Uma família chegou a ficar com ela, mas devolveu dias depois. Quando Sílvia soube da história e viu uma foto de Lady pelo celular, decidiu:

– Eu só repetia ‘essa cachorra é minha, essa cachorra é minha’.

Foi difícil convencer o marido. Como criar uma bernese dentro do apartamento?

– Ele dizia: ‘Você tá louca? Ela vai ficar grande’. Mas eu continuava repetindo: ‘Essa cachorra é minha’.

Somando a insistência de Sílvia à doçura de Lady, o marido não teve como resistir.

– Ela é especial! Super amorosa. É nossa filha. Só quem tem sabe como é!

A Lady já estava com um ano e meio quando Denise contou para Sílvia sua ideia de projeto.

O perfil da filhota, que espalha doçura com aquele tamanhão todo, era perfeito.

Vick surgiu quando o projeto já tinha mais de um ano de latidos. Denise encontrou a vira-lata abandonada na rua perto de casa. Como já tinha cinco cachorros, tentou arranjar outro lar para Vick, mas não teve jeito.

– Ela estava maltratada, com uma castração mal feita que deixou ferida na barriga. Vick vem de vitória.

Logo, Vick, que é toda calmaria, demonstrou que se encaixa no perfil de voluntária.

– Ela entendeu o recado e foi aceita no trabalho.

Denise brinca.

Há dois anos e meio, então, Sílvia, Denise, Lady e Vick passam as tardes de terça-feira no lar. Quando uma não pode ir, a outra está.

Querem que o projeto cresça. Levar a alegria dos pets para outras tantas pessoas, como Denise diz:

– Com as cachorras, os idosos trabalham autoconfiança, segurança, humor. Se estão tristes, abrem o sorriso. Para nós que fazemos o trabalho voluntário, muda a forma de encarar a vida. A gente passa a dar valor ao que passava despercebido.

Se depender de Vick e Lady, não vai faltar empenho. As duas posam para as fotos exibidas e logo já estão dando – e recebendo – carinho de alguém.

Agradecem com lambidas, transmitindo alegria que só se encontra em quatro patas.

 

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