Luci resgata as lembranças de Ribeirão Preto em um grupo no Facebook

Vale a pena ler de novo! História publicada pela primeira vez em 18 de julho de 2017. 

 

Luci é aquela a quem sempre chamam na hora de organizar um encontro, uma festa.

Gosta de reunir, unir, celebrar, relembrar.

Na adolescência, quando os pais mudaram de cidade, fez greve de fome como protesto por ficar longe dos amigos.

Quem gosta de estar junto, não quer estar distante: ela bradava desde então.

Quando entrou para o Facebook, viu na ferramenta uma forma de juntar os mais longínquos pontos geográficos.

E, pensando assim, criou grupos com amigos do colégio, organizou encontros com colegas que não via há anos e fundou o grupo “Lembranças ribeirãopretanas!”.

Foi em agosto de 2012, uma tarde de domingo.

Estava em casa, sem muito a fazer e teve a ideia.

– O foco desde o início era relembrar: bares, lugares, cinemas, costumes de uma época. Pensei na década de 70 para cá: pessoas da minha idade.

Hoje, se assusta ao ver quase 10 mil pessoas interagindo com a página, em toda fase de tempo.

 – Quem não tem história, lembranças, é porque não viveu.

É no que acredita Luci Pereira, 59 anos.


 

Luci diz que é impossível eleger uma lembrança entre as tantas que a vida trouxe.

Nasceu em São Paulo, se formou em Administração, trabalhou em banco por 30 anos. Na adolescência, morou em São João da Boa Vista. Veio para Ribeirão Preto em 1983, com 25 anos.

As lembranças que tem da cidade vêm dessa época: os barzinhos que frequentava, os restaurantes, os amigos.

O Teatro Pedro II, onde hoje Luci é voluntária, é o lugar preferido, pela mistura de beleza, cultura e história.

– Eu aproveitei muito Ribeirão! Andava a pé, não tinha perigo! A avenida Nove de Julho era cheia de bares. Eu gostava muito!

Vai contando suas lembranças, que também estão no grupo.

A primeira postagem foi sobre um barzinho com música ao vivo que, na década de 80, funcionava na avenida 13 de maio.

Virou um post de saudade, com as lembranças de outras pessoas que também frequentavam o lugar.

Luci conta que, no início, quando o grupo era pequeno, muitas pessoas se reencontraram no espaço virtual.

Ribeirão-pretanos que frequentavam os mesmos lugares e nunca mais haviam se visto, pessoas da mesma escola: reuniões!

– Isso foi a melhor coisa do mundo! Uma realização. Começamos a criar laços!

Ela diz que, com o grupo, fez amigos e ampliou a rede de uniões.

Se assustou quando a página somou mil integrantes.

– Agora, com 10 mil, eu nem acredito!

Luci grupo lembranças ribeirão pretanas facebookO grupo tem regras de boa convivência.

O foco é relembrar o passado de Ribeirão Preto, não de outras cidades. E não há qualquer fim comercial ali, sendo, então, proibidas as propagandas.

Post políticos ou de assuntos polêmicos não são aceitos.

A ideia é unir, não tumultuar.

– Tenho uma preocupação muito grande com isso: que as pessoas se ofendam, discutam.

Pelo tamanho da empreitada, Luci encontrou integrantes dispostos a ajudar a administrar o dia-a-dia do grupo.

Fotos históricas, vídeos antigos, recordações pessoais, pedacinhos de passado vão sendo compartilhados diariamente ali.

A criadora diz que a maioria dos integrantes assíduos são idosos.

– Nós estamos esquecendo as verdadeiras raízes. Se continuar assim, daqui a pouco não vai ter mais memória.

E busca, com o grupo, criar um espaço de resgate.

– É isso: eu gosto de resgatar as histórias. Acho que tenho uma missão de reunir, unir as pessoas.

Não sabe qual vai ser o futuro do grupo. O ontem é a única parte do tempo que não deixa dúvidas. Quer que a união continue.

– Quero que continue, sempre com o mesmo foco.

A partir do próximo mês, começa a organizar a agenda para as reuniões reais.

Os encontros, ainda que ocorram pela internet, precisam terminar com um abraço apertado, daquele que tem cheiro e cor.

Em setembro, Luci revê a turma de São Paulo. Em outubro, a de São João da Boa Vista. Em novembro, é a vez do grupo de Ribeirão. E dezembro?

Ah, dezembro é tempo de amigo secreto, confraternização da turma, reunião de família, final de um ano que – certamente – vai virar história contada por Luci. Lembranças da ribeirão-pretana.

– Todo mundo que viveu bem tem uma história para contar!

É no que ela – e o História do Dia – acredita!

 

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