No trabalho com a sedução, Natalia resgata autoestima

Vale a pena ler de novo! História publicada pela primeira vez em 25 de abril de 2017. 

 

No primeiro momento, o que se vê é lingerie. As cores são seletas, entretanto. Vermelhas, brancas, pretas, rosas. Quem entra pela porta, procura mais que uma usual roupa de baixo.

Natalia usa scarpin pink, calça jeans rasgada, blusa e terninho brancos. Tão seleta quanto as cores da lingerie, vai desnudando o tema.

Vamos falar de sedução?

 – Eu me sinto poderosa em todos os sentidos. E sou uma mulher com medos e frustrações. Não acordo todo dia me sentindo sensual, mas busco isso na minha essência. As mulheres se identificam com isso.

O negócio de Natalia não é do tipo que se limita ao horário comercial. Para falar de sexo – e tudo que ele engloba – foi preciso que ela se redescobrisse.

Diz que sempre gostou do tema e nunca teve pudores com ele. Não sabia, porém, quão longe poderia ir.

Hoje, Natalia Fernandes, 34 anos, é educadora sexual e dona da Lolita, que classifica como uma “boutique feminina especializada em sedução”.

O grande produto oferecido não são as lingeries que dão boas-vindas a quem entra, mas a orientação sensual e os cursos que Natalia ministra a turmas de mulheres que vão dos 19 a mais de 60 anos.

Sexo oral, striptease, sexo anal, massagem sensual, dança, poder e auto estima: os temas são distintos. O objetivo é o mesmo:

– Conhecimento. Conhecimento é o trunfo. Ninguém aprende a ser sensual na escola.

Natalia conta que passou três meses avaliando a compra da loja, quando a antiga dona ofereceu, em 2012.

Diz que sempre quis trabalhar com comércio porque cresceu encantada pelo pai comerciante. Trabalhou por 13 anos na supervisão de grandes lojas.

Tentou, mais de uma vez, ter um negócio próprio e não deu certo.

A possibilidade de comprar a boutique surgiu quando outra tentativa havia falhado.

– Não adiantava eu achar que podia assumir se eu não me sentisse poderosa.

Quando decidiu aceitar, sabia que não poderia se limitar.

– Eu fiz cursos fora de Ribeirão, fui buscar me especializar. Foram duas paixões que eu adquiri: o mercado da sedução e a mulher que eu sou hoje.

Depois de cinco anos, oferece sete cursos diferentes. As turmas têm, em média, entre 20 e 30 mulheres e Natalia diz que o número de turmas por mês varia, mas não fica em menos de cinco.

A maioria das mulheres tem um relacionamento sério, mas esse perfil não é regra. Quem busca o conhecimento vem dos mais distintos contextos.

No Facebook, a página da boutique tem mais de 4,7 mil curtidas.

Falar de sexo não é tabu por aqui.

– Eu falo de sexo com naturalidade. Quebrei o pudor.

Natalia conta que casou aos 23 anos, “sem experiência alguma”, em suas próprias palavras. Hoje, aos 34, entende a auto estima como o ponto chave de qualquer relação.

Mais que aprender como se faz um bom sexo oral, as mulheres que procuram Natalia precisam fortalecer o amor próprio.

– O maior problema é a falta de confiança em si mesmas. O que é ser boa de cama? É ser segura de si. A mulher segura de si consegue transar com a luz acesa ou apagada. Ela tem paixão pelo seu corpo.

A pergunta que não falta nos cursos de Natalia é: “Quem está aqui hoje para agregar na relação?”. A maioria das mãos são levantadas.

E Natalia, então, começa a compartilhar o que acredita.

– Eu enfatizo que ela tem que sair daqui pensando nela. Não no outro, não na relação.

Natalia conta que quando começou a pensar nos cursos buscava uma mulher do tipo “gostosona” para ministrá-los. Pensava que essa seria a mulher ideal para ensinar, por exemplo, como se faz um bom striptease.

– Mas essa mulher nunca apareceu. Então, eu me vesti e fui. E isso fez com que as mulheres se identificassem comigo.

Ela gosta de frisar que, no dia-a-dia, não usa scarpin pink, decote ou batom vermelho.

 – Eu não preciso disso para me sentir bonita. A autoestima é isso. É isso que busco transmitir para as mulheres.

Não é um aprendizado fácil, Natália bem sabe.

Nos cursos, não é raro encontrar mulheres que fazem os gostos do parceiro sem compartilhar deles.

Também não é raro, ela diz, se deparar com mulheres casadas há anos, com mais de 50, que nunca tiveram um orgasmo.

– Isso faz parte da mulher que se ama, que se toca. Mas na nossa cultura não é assim. Temos a cultura do: ‘tira a mão daí que é feito’ para as meninas. E ‘põe a mão que é bonito’ para os meninos.

O trabalho de Natalia vai além da sensualidade. É preciso desconstruir o machismo, ensinar um novo olhar sobre o próprio corpo, quebrar regras.

 – A única pessoa que vai te amar para o resto da vida é você mesma.

Natalia está cheia de planos. Todos eles voltados à vida profissional: sua paixão de hoje.

– As mulheres empoderadas escolhem o que querem e eu escolhi crescer profissionalmente.

Não quer ser mãe, não quer ser perfeita, não quer ser padrão. E avisa:

– Não me sinto extremamente realizada porque quero mais!

Tem planos de levar os cursos para cidades da região, expandir conhecimento, continuar o processo de autoconhecimento que faz seu negócio possível.

E a Natalia? É boa de cama?

Responde à pergunta sem ficar vermelha ou pestanejar.

– Claro que eu sou!

Natalia sabe bem o que quer.

E, nos dias de indecisão – porque eles sempre aparecem – não descansa até descobrir.

Vermelhas, brancas, pretas, rosas. Quem entra pela porta, encontra mais que uma usual roupa de baixo.

 

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