Ozias tem o coração dividido entre palhaço Cebolinha e professor de fitness

Vale a pena ler de novo: história publicada pela primeira vez em 26 de maio de 2017. 

 

Ozias tem o coração – e agenda – divididos.

Em um mesmo dia, vira palhaço e desvira mais de uma vez.

Pela manhã, é o Cebolinha, com suas roupas coloridas e alegria a esbanjar na porta de alguma loja de Ribeirão Preto. À tarde, é professor de fitness.

À noite, se a agenda está boa – e ele torce para estar – não tem folga. O palhaço volta à ativa e encerra o dia com gargalhadas em alguma festa ou evento.

Tem sido assim há 22 anos, quando Ozias Pereira da Silva, 43, decidiu fazer faculdade de Educação Física.

Palhaço Cebolinha Ribeirão Preto

A escolha foi movida pela arte: ele começou a trabalhar com animação aos 14 anos, em uma empresa. No início, usava fantasias daquelas em que o artista fico todo coberto, da cabeça aos pés.

– Um dia, um palhaço faltou e me deixaram cobrir. Viram que eu levava jeito!

O improviso virou paixão. Ele nunca mais deixou o personagem do nariz vermelho.

Quando terminou o colegial, escolheu seguir pela Educação Física para se especializar na área de recreação, que já era rotina.

No meio do caminho, porém, encontrou outro gosto. Nas aulas de fitness percebeu que poderia ser meio Cebolinha, meio professor.

E complementou as profissões.

– A academia dá preparo físico para o palhaço. E o palhaço faz o educador físico ser divertido. Eu brinco, faço uma aula com diversão. É uma junção completa!

Difícil é conciliar o tempo.

Ele chega a trabalhar como palhaço, dar aula no horário de almoço, e voltar para o palhaço à tarde.

Haja prática na maquiagem para dar vida ao Cebolinha em tão poucos minutos!

– Eu tenho uma rotina de quase 14 horas de trabalho ao dia! Mas é prazeroso. Vale a pena!

Palhaço Cebolinha Ribeirão Preto

Tanto trabalho só vale a pena porque Ozias sabe que está compartilhando coisas boas.

– Trabalhar com artes leva bem-estar para a vida das pessoas. E as pessoas estão precisando.

Diz que, nos últimos anos, tem precisado reinventar as brincadeiras de Cebolinha.

– O ser humano está muito fechado. O pessoal está sem alegria, triste…

Sente falta da abertura de antes, do riso fácil, da criançada que – quase sem exceção – corria em direção ao palhaço.

– Tem pessoas que chegam a atravessar a rua! Isso faz a criança sentir medo de palhaço.

Tem certeza – apesar de tudo – de que a arte circense vai sobreviver aos tempos difíceis.

– É uma arte duradoura. Por isso, existe há tanto tempo e vai continuar a existir.

Continua seu trabalho, fazendo sua parte.

Enquanto a entrevista acontece, pelo menos cinco crianças vão em sua direção. Abraçam, mandam beijo, dão risada gratuita só de olhar para os cabelos brancos do Cebolinha.

– Não tem preço que pague a criança sorrir para você.

É o que faz Ozias continuar. Dividir o tempo, multiplicar os minutos entre uma jornada e outra sem perder o riso, seja como palhaço ou professor.

 

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