Paixão pelos livros fez de Gabi bibliotecária e “booktuber”

História publicada pela primeira vez dia 13 de março de 2018. Vale a pena ler de novo! Gabi é a curadora do Clube do Livro da Fundação Feira do Livro que será realizado neste domingo, na Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto! Confira a programação completa da Feira AQUI

 

Faculdade em Ciência da Informação, mestrado e doutorado na mesma área, canal no YouTube, clubes do livro, bibliotecas. Aos 28 anos, Gabriela Pedrão construiu extenso currículo por uma única paixão: os livros!

O que é um bibliotecário? Ela já está acostumada ao arregalar dos olhos quando conta qual é sua profissão.

Bibliotecária é a palavra que faz gregos e ribeirão-pretanos questionarem: “Sério?”, “Mas isso existe?”, “Bibliotecária não é a velhinha chata que faz ‘xiu’ na biblioteca?”.

São tantos questionamentos que o canal no Youtube, “É o último, juro”, com mais de oito mil inscritos, criado para falar sobre literatura, se transformou também em espaço para discutir a profissão.

“Fala, bibliotecária”, é uma das sessões que Gabi criou para compartilhar o que pouca gente sabe:

 – O bibliotecário é uma ponte entre as pessoas e o que elas procuram. Talvez, você venha à biblioteca sem saber muito bem o que quer. Se o bibliotecário conhecer o acervo, ele vai saber o que te mostrar.

Gabi, então, gosta de espalhar para o mundo que escolheu ser bibliotecária. Se diverte com a cara de espanto e com as perguntas que surgem. Até porque, a profissão que escolheu seguir é o reflexo da sua grande paixão.

– Eu sempre gostei de ler. E sempre fui leitora assídua.

Tem um caderninho onde anota, desde 2013, os livros lidos, com ano, nota para a obra e procedência. No total, são 131 obras. Só no ano passada, leu 37 livros. A meta para esse ano é de 40!

A bibliotecária Gabi sempre esteve entre os livros. Mesmo quando nem cogitava ser bibliotecária.

Gabriela Bazan canal "É o último, Juro", História do Dia

A biblioteca da escola tinha um formato um tanto inusitado. Um balcão separava os alunos do acervo de livros. E uma bibliotecária sempre simpática buscava o exemplar que o pequeno leitor escolhia.

O que poderia ser desestímulo para muito aluno, despertou o olhar curioso de Gabriela.

– Para mim, era o máximo. Eu pensava: ‘Esse lugar é muito secreto!’. Tinha curiosidade pela biblioteca.

Os pais eram professores e, então, não faltou incentivo para a leitura. Na infância, além dos livros que pegava na misteriosa biblioteca da escola, ela se encantou pelos gibis velhos, que comprava nos acervos de bancas de revistas.

Na adolescência, se embrenhou na história de Harry Porter e virou fã. Até em lançamento de livro à meia noite fez os pais a levarem.

– Eu tinha 11 anos quando Harry Poter foi lançado. Era a mesma idade dele. Fomos crescendo juntos. Não havia nada tão envolvente para adolescentes, que falasse a nossa língua.

Veio daí o encantamento pelas histórias de fantasia e ficção científica que ainda hoje está com ela.

Na época de prestar o vestibular, a cabeça encheu de dúvidas. Pensou em Arqueologia, História, mas a mãe, que fazia coro para que a menina ficasse em Ribeirão Preto, comprou um manual da Fuvest para auxiliar.

Na época, o curso se chamava Ciência da Informação e Documentação. Não tinha Biblioteconomia no nome.

Foi a mãe quem se interessou primeiro: “Gabriela, isso aqui é sua cara!”.

Aos 17 anos, então, Gabi entrou na USP Ribeirão Preto, para alegria da mãe. E dos livros.

– Eu me identifiquei com o curso logo de início. E já me interessei pelo trabalho em biblioteca, o que pouca gente se interessava.

Terminou a graduação, emendou o mestrado e atualmente está no Doutorado.

Entre o percurso de pesquisa e estudos, trabalhou na biblioteca de uma escola, ajudou a montar uma biblioteca e passou a coordenar o Clube do Livro da Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto. A partir deste mês, expande a ideia como coordenadora do Clube do Livro do Sesc Ribeirão.

 – A leitura é um universo de infinitas possibilidades. Estimula a criatividade, o pensamento, faz mexer as coisas dentro da cabeça. Quando você percebe, está vendo outros mundos, outras épocas na visão de várias pessoas.

Gabriela Bazan canal "É o último, Juro", História do Dia

A ideia do canal no Youtube surgiu quatro anos atrás, entre o fim do mestrado e a aprovação no Doutorado. Gabi, de imediato, não passou no doutorado que queria por pouco, e a chateação tomou conta.

– Eu fiquei muito deprimida. E precisava fazer alguma coisa da vida!

Os “booktubers” já ganhavam os olhares e cliques no meio virtual, mas Gabi percebia uma lacuna. Quase ninguém falava sobre as obras de fantasia, ficção científica e suspense policial.

Na época, ela trabalhava na biblioteca de uma escola e poderia, então, guardar muitos coelhos em uma cartola só.

– Eu pensei que poderia fazer os alunos se interessarem mais pela biblioteca!

Deu certo. Mas, além dos livros, outra coisa chamava a atenção dos seguidores.

– Nenhum canal dos que eu conhecia tinha uma bibliotecária comentando livros. Então, eu enfatizava que era bibliotecária e muitas pessoas começaram a querer saber sobre isso.

Quando percebeu o interesse pela sua profissão, Gabi não conteve a animação.

– A biblioteconomia precisa ocupar espaços para falar de literatura. Biblioteca não é um lugar chato, onde só tem coisas velhas. O bibliotecário não é um velho. É preciso ocupar espaços e quebrar rótulos.

Começou, então, a falar também sobre a profissão. E, mais recentemente, criou uma terceira vertente que também tem tudo a ver com o que faz e justifica anotar cada livro que lê em um caderninho, com catalogação por data e nota.

– Eu sou extremamente organizada. E as pessoas querem saber como fazer para estudar, para se organizarem.

A parte preferida, porém, continua aquela do início da história.

– É a literatura!

A “booktuber” Gabi sempre esteve entre os livros. Mesmo quando nem cogitava ser “booktuber”.


 

Gabriela leva para a internet o apreço pelo livro de papel. E garante:

– O livro não vai acabar!

Ela apresenta dados: uma pesquisa da Fundação do Livro e Leitura revelou que Ribeirão Preto tem um percentual de leitura maior do que o do Brasil.

A pesquisa Perfil do Leitor de Ribeirão Preto, feita pela Fundação do Livro e da Leitura  em parceria com a Unaerp (Universidade de Ribeirão Preto), mostrou que 67% dos ribeirão-pretanos leêm, enquanto, no Brasil, a média é de 56%.

Gabi acredita também que, seja pela tela do celular ou do computador, as pessoas se dedicam à leitura o tempo todo: lendo a timeline do Facebook ou a notícia que pulou na tela.

– As pessoas estão muito conectadas à mídia escrita!

Para quem está começando a viajar pelo mundo das letras, a dica é ler. Simplesmente.

– Não importa onde ou o que. Não importa por qual obra você comece. O importante é ler. Seja para amadurecer outros tipos de leitura ou apenas como passatempo.

A coleção do Harry Poter, é claro, está entre seus livros preferidos.
“O nome da rosa”, de Umberto Eco, ocupa lugar no ranking pelo desafio da leitura.

– Demorei oito anos para ler esse livro! Começava, parava e recomeçava de novo.

Na bolsa, Gabi anda sempre com um livro. Companheiro para qualquer minuto vago que sobre no tempo.

A leitora Gabriela sempre esteve entre os livros. Mesmo quando nem cogitava que essa seria sua grande paixão.

 

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