Proteger os animais é a missão de Vylna

Vale a pena ler de novo! História publicada pela primeira vez em 7 de novembro de 2011! 

 

Vylna Cassoni não sabe quando começou. Nas fotos de criança já se exibia ao lado de um cachorro ou um gato.

A mãe contava que toda vez que ia à praça, a menina voltava com um bicho abandonado de tiracolo.

Conclui, então, que, desde sempre, é uma protetora de animais. E dessa trajetória soma histórias que não cabem em uma lista.

Os dez dias que passou tentando capturar o cachorro bravo ferido por um ouriço que, mesmo sob efeitos de sonífero, lhe pregou uma mordida no braço.

A cachorrinha diagnosticada com quatro doenças graves que hoje corre a lhe abanar o rabo como agradecimento à cura.

Os quatro bichinhos resgatados que levou para casa e são parte da família. Os sete cachorros do bairro industrial que cuida como se fossem seus.

– O animal é uma vida. Por que essa vida vale menos do que a minha, a sua? Já perdi muitos animais. E, sempre que há perda, é devastador. Mas já salvei outros muitos.

Há seis anos, decidiu transformar o amor em ONG, para facilitar as burocracias e amplificar a ajuda.

Criou a ONG Seja Cãociente, que hoje é responsável por 14 bichinhos abrigados, além de prestar ajuda de todo tipo aos animais.

– O que me move? É ver um bichinho que estava morrendo vir correndo em minha direção. Eu não vou mudar o mundo, mas o mundinho de um cachorro eu mudei.

ONG Cãociente Ribeirão Preto

Vylna é de Araraquara, mas há 26 anos mora em Ribeirão. Conta que desde que chegou aqui continuou o trabalho que já desenvolvia por lá: ajudar os bichos. E que participou, inclusive, na organização de uma das primeiras feiras de adoção de Ribeirão Preto.

– As pessoas acham que só podem ajudar doando dinheiro, adotando um animal. Mas existem muitas outras formas. Doando seu tempo, toalhas que não usa mais, remédios, comprando uma rifa, compartilhando uma mensagem no Face: o pouquinho forma uma corrente.

Vylna participava da corrente de maneira independente, mas, aos poucos, foi percebendo que precisava ir além. Como ONG, é possível facilitar burocracias e conseguir comprar ração, remédios e serviços com maiores descontos.

A ONG Seja Cãociente tomou forma em agosto de 2011.

Na lista de brigas que Vylna já comprou pelos bichos tem desde perseguir o carro de uma pessoa que acabara de jogar um animalzinho na rua a resgatar cães dos maus tratos com a viatura da polícia. Ela reclama da legislação frouxa.

– A lei ainda está engatinhando e a gente espera que mude. Que a pessoa sofra algum tipo de punição pelos maus tratos.

Quando o tema é adoção, é ainda mais firme. O nome Cãosciente não nasceu à toa. Para adotar um dos bichos que a ONG abriga em hotéis e lares temporários é preciso mostrar consciência.

 – Eu não quero mudar a geografia daquele animal. Eu quero mudar a vida dele. Quero dar a ele a chance de um lar, uma família, proteção.

Só é possível adotar com cadastro bem preenchido e compromisso de castração assinado.

– As pesquisas mostram que, para cada criança que nasce, nascem 45 cães e gatos. Você pode ter 45 bichos em casa? Não, né? Não existe animal de rua. Existe animal que foi jogado na rua.

ONG Cãociente Ribeirão Preto

Vez  em quando, Vylna diz que se sente cansada.

– É uma canseira física e emocional. Mas aí, eu olho no olhinho deles e nas coisas que me acontecem no dia a dia e tenho forças para continuar.

Ela se desdobra entre a rotina no trabalho, em casa e na ONG. Mas leva a proteção animal para todo lado, cuidando dos bichos que vivem em volta da empresa onde trabalha e que, todo dia, a procuraram para comer e receber carinho.

O cachorro Sorriso tem até casinha por ali. Ele chega pela manhã e passa o dia com a protetora. Quando ela fecha a empresa, Sorriso espera ao lado do carro por uma carona.

– Todos os dias, eu levo ele de carro. As empresas colocam um cachorro só por segurança. Mas o cachorro precisa de carinho.

No seu carro, sempre tem um saco de ração.

 – Não dá para tirar todos da rua. Mas eu paro onde for para alimentar os que precisam.

O cansaço, então, se torna detalhe.

Vylna, que é protetora desde sempre, não pensa em mudar de posição.

– Até quando eu vou fazer? Enquanto eu respirar. Eu não consigo ficar longe dos animais.

Os bichinhos de todo lado agradecem, entre abanadas de rabos e lambidas felizes.

 

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ONG Cãociente Ribeirão Preto

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