Rodrigo começou a trabalhar aos oito anos e hoje tem empresa referência nacional

Rodrigo Barbeti poderia morar em qualquer cidade do Brasil. Escolheu, porém, continuar vivendo em Morro Agudo, onde nasceu e começou a ganhar asas.

Foi ali, nas ruas da pequena cidadezinha na região de Ribeirão Preto, que ele saiu vendendo gelinho aos oito anos e engraxando sapatos um pouco depois.

Na Guarda Mirim de Morro Agudo conseguiu portas abertas para o mercado de trabalho aos 11 anos. Atuou na Unidade Básica de Saúde e, depois, passou para a Câmara Municipal.

O pai era motorista de caminhão e ônibus, a mãe lavadeira e Rodrigo, o filho do meio, começou cedo a ajudar em casa.

Entre as lembranças da infância, pão com presunto e queijo ainda é forte. Foi acompanhar o pai em uma viagem e uma senhora que estava junto havia levado os ingredientes para preparar o lanche.

– Eu devia ter uns 10, 11 anos. Foi a primeira vez que comi pão com presunto e queijo na vida. Aquilo para mim foi o máximo!

Hoje, aos 38 anos, ele é sócio e fundador de uma empresa de auditoria e consultoria empresarial com atuação em seis estados brasileiros e mais de 120 clientes, entre eles empresas multinacionais.

Também atua no ramo de loteamentos, é sócio de uma empresa de transportes e purificação de óleos industriais, está criando uma startup voltada à profissionalização de mulheres, além de outras dezenas de planos que saltitam pela sua cabeça.

– Aprendi, com tudo o que vivi, que gosto de empreender.

A empresa de auditoria, que ocupa a maior parte do seu tempo, fica em Ribeirão Preto. Quase diariamente, então, Rodrigo viaja. Os filhos precisam estudar em cidade vizinha, já que em Morro Agudo não há uma escola que se adeque às necessidades.

Ainda assim, ele continua vivendo na cidade que foi seu berço. A justificativa tem a ver com o que norteia a história que escreveu.

– Muita coisa fez sentido para mim quando ouvi uma frase: Onde está o seu propósito? Onde está seu propósito está sua paixão. As conquistas dependem do seu propósito. A vida foi me Onde está seu propósito esta sua paixão. apresentando vários propósitos diferentes.

O primeiro deles surgiu na infância morro-agudense, vendo o sufoco que os pais faziam para não deixar faltar o pão – sem presunto e queijo.

Decidiu que iria crescer na vida para ajudar a família. “Fazer a diferença”, em suas palavras.

Deu mais certo do que poderia imaginar!

BLB consultoria e auditoria empresarial Ribeirão Preto

Rodrigo é feito de conexões. Vai contando sua história e colocando, em cada parte dela, o nome de alguém que participou, que somou ou dividiu.

– Sozinho a gente não faz nada!

Com as amizades que fez desde bem pequeno, encontrou formas de abrir o caminho, ainda quando a rota parecia interditada.

Trabalhando desde criança, ele criou vínculos por onde passou. Vendeu juju, foi engraxate, trabalhou na unidade de saúde, na Câmara Municipal e deixou esse trabalho, por volta dos 12 anos, a convite de um amigo que recebia cobranças de bicicleta.

Parecia um serviço bem remunerado, e lá foi Rodrigo.

Não durou muito, porém. Apesar dos bons resultados financeiros, depois de um mês de trabalho, ele foi atacado por um grupo enquanto fazia cobranças em um bairro perigoso. Os pais decidiram que era hora de parar.

Há males que vem para o bem: quem nunca atestou a frase?

Voltou para a Guarda Mirim e conseguiu trabalho em um escritório de contabilidade.

A dona estava começando e quem havia de imaginar que se tornaria a maior contadora de Morro Agudo? Foi ali que Rodrigo se encantou pelos números e começou a conhecer o universo que seria seu por toda vida.

Saía de Morro Agudo sozinho, pegava o ônibus e vinha até Ribeirão abrir empresas na Junta Comercial.

– Para mim, era o máximo! Sair sozinho, vir até Ribeirão!

Ficou mais ou menos três anos nesse trabalho antes de ir para o banco, com 15 anos. Para entrar, foi preciso recorrer aos tantos amigos que já tinha.

A vaga estava marcada para o filho do dono do prédio, que tinha essa alta recomendação. Resposta que Rodrigo ignorou.

Se lembrou de senhor correntista, que carregava o título de um dos cidadãos mais ricos de Morro Agudo e lhe tinha apreço. Foi até ele e pediu uma carta de recomendação. Garantiu a vaga que ocupou até os 18 anos de idade.

– Ali eu aprendi muito! Fazia de tudo, porque os funcionários confiavam em mim. Me tornei melhor.

Quando completou 18 anos, iniciou mais uma fase de batalha.

Tinha curso de informática, feito em Orlândia à base de carona e até mesmo de voltas a pé por 16 quilômetros. Pensou, então, em fazer faculdade na mesma área.

Contabilidade vinha em segundo lugar.

A bolsa que conseguiu em uma faculdade de Ribeirão, porém, era justamente para a segunda opção. E as aberturas de trabalho na área também favoreciam a escolha.

Morro Agudo é cidade de usinas e, na época, quem estudava contabilidade tinha chances de emprego e parte do curso superior quitado. Somando a bolsa que a faculdade havia lhe dado com a bolsa da usina, conseguiria manter as mensalidades.

Conseguiu a vaga de trabalho e, então, começou a dividir a rotina entre a usina, o ônibus para Ribeirão, as aulas e a volta para casa.

Foi na faculdade que, além do encantamento pela consultoria e auditoria empresarial, surgiu um outro. Conheceu a mulher com quem, ainda hoje, divide a vida.

Antes mesmo de casados, os dois já dividiam os perrengues e se desdobravam para conseguir manter os sonhos.

Um dos maiores deles surgiu por volta do segundo ano de faculdade de Rodrigo.

Era época de Pró Álcool e no curso se estudava muito o tema. Rodrigo, com seus botões, pensou em uma estratégia de negócios: e se o dono da usina tentasse uma isenção no rodízio de veículos, recém-inaugurado em São Paulo, focando no aumento das vendas?

Decidiu, então, enviar uma carta para o dono da usina, um homem conhecidíssimo em toda região de Ribeirão Preto, com a sugestão.

A resposta até veio, um mês e pouco depois. Mas, junto dela, uma bronca aos gritos do supervisor do trabalho, que se incomodou com o fato de Rodrigo ter enviado a correspondência direto para o dono da usina, sem comunicá-lo antes.

– A usina inteira ficou sabendo…

Menos de dois meses depois, no primeiro corte de funcionários, Rodrigo foi mandado embora. Perdeu parte da bolsa. E as contas apertaram demais.


 

Nessa época, Rodrigo já sabia que não queria ser contador, mas, sim, atuar com auditoria.

Começou, então, a enviar currículos para todas as empresas que vinha na mente.

Depois de uma semana parado, conseguiu emprego em uma cooperativa, mas o trabalho fugia da sua área.

– Fiquei duas semanas lá e emagreci cinco quilos. Eu tinha que carregar muito peso.

Quando o desespero já começava a bater na porta, veio a entrevista para vaga em uma grande empresa de auditoria que ficava em Ribeirão Preto.

O primeiro desafio foi conseguir a vaga. Mais uma vez, Rodrigo fez suas conexões. Pela sua dedicação, foi recomendado por dois professores da faculdade e um amigo de Morro Agudo.

Quando recebeu a ligação confirmando que o emprego era seu, ouviu a frase que tirou risadas: “Só faltou ligar o presidente aqui dizendo que eu devo mesmo te contratar!”, disse o chefe.

O segundo desafio foi conseguir uma forma de se manter em Ribeirão. A vaga na empresa pagava menos da metade do que ele ganhava na usina, sem a bolsa da faculdade.

Pela primeira vez, empreendeu com negócio próprio. E apoio da esposa (que ainda era namorada).

Os dois montaram uma loja de roupas em Morro Agudo, apesar de 99% dos palpites dizerem que estavam loucos.

– No primeiro mês de loja, faturamos R$ 7 mil! Foi um sucesso! E todos tinham dito que não iria dar certo…

O que ganhavam ajudava a manter Rodrigo construindo carreira em Ribeirão.

Não demorou, porém, para que ele conseguisse uma vaga afetiva. Em oito meses, era contratado, com salário melhor.


 

Rodrigo ficou por dois anos e oito meses na empresa, até tomar uma decisão.

– Um dia eu falei: ‘Vou ter a minha própria empresa e ser concorrente’.

No final da faculdade, um susto ‘do bem’ . A esposa engravidou do primeiro filho e foi preciso trocar a festa de formatura pelas fraldas.

Nessa época, Rodrigo conseguiu comprar casa própria. E, apesar de todas as dificuldades, continuou com a ideia de empreender.

– Todo mundo foi contra!

Seguiu, mais uma vez, o que acreditava.

Guardou dinheiro para três meses, firmou parceria com um sócio e em abril de 2003 montou uma sala pequena na rua Rui Barbosa.

– Tinha um armário, duas mesas, cadeiras: era isso.

Lembra o valor exato que sobrou depois do primeiro mês de trabalho: R$ 14,88.

No segundo mês, quando o desespero se aproximava, conseguiram um cliente, ampliaram a equipe com dois sócios de peso e alçaram voo.

A empresa BLB Brasil – que hoje tem sede em prédio de luxo da avenida Presidente Vargas, 55 funcionários, escritório em São Paulo – abriu as portas em 31 de setembro de 2003.

– Nós acreditamos na superação. Temos as provas de que é possível se superar.

BLB consultoria e auditoria empresarial Ribeirão Preto

Na empresa de Rodrigo, a funcionária da recepção tem um sorriso que ocupa todo o rosto para atender quem chega.

Em uma das salas, frases de motivação estão estampadas pelas paredes.

– Eu sempre quis ter um ambiente diferenciado. Sempre trabalhei em lugares de clima hostil, hierarquia e não queria que a nossa empresa fosse assim.

Desde 2015, a empresa conta também com uma escola de negócios, com o objetivo de transformar estudantes em executivos, e uma universidade corporativa. Rodrigo explica que busca dar espaço para profissionais que recém chegaram ao mercado.

Sua história é base para essas escolhas.

– Nosso maior propósito são as pessoas.

Ao longo do caminho, foram surgindo as possibilidades de ampliar a atuação. Um amigo fez um convite aqui, outro ali. E, mesmo se aventurando em áreas tão diferentes, como óleo hidráulico, ele se tornou sócio de outras empresas pela paixão de empreender.

Aquele primeiro propósito lá da infância foi cumprido com êxito quando o menino de Morro Agudo conseguiu chegar à faculdade, concluir o curso, entrar no mercado de trabalho.

Outros muitos, entretanto, foram aparecendo.

– Depois que você começa um negócio e as pessoas começam a acreditar em você, outros propósitos surgem.

Rodrigo conta que dorme pouco, trabalha de 14 a 16 horas por dia, nunca tirou férias de 30 dias e, apesar de realizado, tem uma lista gigantesca de coisas a realizar. Os planos para o futuro, assim, tomam as horas de sono.

– Eu queria me superar. Essa superação é diária. Tem muita coisa para melhorar.

Para quem está começando a empreender, ou apenas buscando realização em qualquer área, a sugestão é firme:

– As pessoas se frustram porque não têm um propósito definido. A vida é para ser vivida.

Quando a entrevista termina, ele pega o carro e parte para Morro Agudo, uma horinha de viagem.

Explica que tem o sonho de ver a cidade pequenina ganhando asas, como as que ele ganhou. Quer ver o município se fortalecer, expandir. E fazer parte do crescimento.

Soa como agradecimento ao local que foi seu ponto de partida.

Rodrigo, então, volta ao começo da conversa.

– É por propósito. Tudo nessa vida é propósito.

Escolheu, há muito tempo, a palavra que norteia a vida.

E segue.

 

 

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Comentários
  • Janaina
    Responder

    Parabéns pela linda história. Que Deus continue dando sabedoria para empreender e renovando as forças para prosseguir o propósito de vida.

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