Wilson descobriu a literatura com o cordel e sonha em publicar um livro

Esta história foi contada na intervenção cultural “Qual a sua História do Dia?”, na Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto. 

 

Wilson se aproxima, olha a plaquinha e vai logo dizendo:

– Eu tenho muita história para contar!

Em uma mesinha em meio aos estandes da Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto, na praça XV, eu passei a tarde de terça-feira. A plaquinha em letras coloridas convida: “Qual a sua História do Dia”?

Wilson Pereira de Araújo, 52 anos, me conta que veio de Recife para Ribeirão Preto aos 24 anos, depois que os pais faleceram.

Deixou sua terra em um misto de alegria e saudade. Foi lá que conheceu a paixão que norteia a vida.

– Os livros eram muitos caros. Mas a literatura de cordel era acessível. Vinha em livretos muito simples. Eu me apaixonei pelas letras!

Com o cordel, literatura típica do nordeste, que narra histórias em poesia ritmada, o menino Wilson venceu a timidez. E descobriu que, assim como os trovadores que tanto admirava, podia ele também combinar as palavras em rimas.

– A escrita é para mim o que a pedra bruta é para o escultor. O escultor consegue transformar a pedra em algo bonito.

Aos 16 anos, já encantado pelas palavras, teve seu primeiro emprego. Trabalhava em uma distribuidora de livros, com a função de ler as obras para escrever resenhas e vendê-las melhor.

– Foi o primeiro e o melhor emprego até hoje!

Ficou um ano trabalhando entre os livros. Tem passado a vida a devorá-los! Poesias e biografias são os gêneros preferidos. Lendo, lapida o seu escrever.

– A escrita é o meu prozac. Me acalma. Me alegra. Traz muitas emoções boas. E outras não tão boas, já que a gente acaba entrando em contato com outras realidades.

Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto - História do Dia

Wilson conta que trabalhou um bom tanto ao longo da vida, em indústria química e, depois, como funcionário público. Foi sindicalista em um Brasil recém-saído do regime militar.

– Foi a fase mais polêmica e difícil da minha vida. Trabalhando nas fábricas, vi e ouvi coisas terríveis. Corrupção, bastidores de política. Mas me trouxe visão de mundo.

Relembra que seu primeiro voto foi aos 24 anos, após a Constituição de 1988, mesma época em que deixou sua terra natal.

Em Ribeirão, teve algumas companheiras e lamenta que a vontade de ter filhos não tenha se realizado. Se aposentou há dois anos e, então, tem mais tempo para contemplar as palavras e, como nesta terça-feira, passear pela Feira do Livro.

Na literatura que escreve, transforma sua história de vida em palavras. E, então, cultiva um grande sonho:

– Eu quero publicar um livro antes de morrer!

Já tem nome e conteúdo. “Há flores nos cactos” reúne letras de música, poesias, contos, memórias que passou a vida a escrever.

– Eu vou realizar!  Hoje, está menos difícil realizar um sonho do que antigamente.

Na literatura de cordel, o Wilson menino descobriu o mundo ilimitado das palavras. Com poesias e rimas, continua a enfeitar o caminho!

 

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Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto - História do Dia

 

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