Casal de São Paulo adota cachorro durante o João Rock em Ribeirão

Breno e Bia estavam a caminho de um dos palcos do festival João Rock, quando ele decidiu fazer um pequeno desvio. “Vou pegar uma breja”.

Ali, viram o cachorro de pelagem preta correndo de um lado para outro.

– Ele estava desesperado! O som muito alto, muita gente. Parecia muito perturbado!

Outras pessoas tentaram, sem sucesso, segurar o animal. Breno, então, decidiu usar a sua tática. Quando o cachorro parou um pouco, se aproximou e, com bastante calma, chamou: “Vem cá!”.

Pronto! Foi amor ao primeiro carinho! O cão – que até então tinha nome indefinido – pulou no colo de Breno Ferreira, agarrou seu corpo e não largou mais.

– Ele me abraçou mesmo, sabe? Não largava! Colocou a cabecinha na minha nuca e ficou ali. O coração dele estava acelerado demais.

A ideia era assistir aos shows e voltar para casa no embalo do rock. Foi para isso, afinal, que Breno e Bia deixaram São Paulo com destino a Ribeirão Preto no último sábado.

Como não conseguiram hotéis vagos, compraram passagem de volta para as 2h da madrugada, logo após o festival. E a ideia era aproveitar ao máximo antes de embarcar.

Às 21h30, porém, quando encontraram o cachorro, o foco mudou.

– A gente não assistiu a quase nada! Mas foi a melhor decisão que já tomamos!

Com o cachorro no colo, Breno e Bia já nem se lembravam mais para qual palco estavam indo (ou lembravam, mas não davam mais tanta importância). O objetivo era encontrar um lugar para o bichinho tão acuado. Ainda que tivessem uma intuição de qual lugar seria esse.

– Parece que foi amor à primeira vista. A gente já sabia que iria querer levar ele para casa…

Procuraram todas as possibilidades. Contam que perguntaram para os seguranças, policiais, pessoas nas ruas do entorno: ninguém sabia de quem era o cachorro. Ninguém podia, também, ajudar a encontrar um lar para ele.

– A resposta era que o Centro de Zoonoses só funcionaria na segunda-feira.

A preocupação aumentava a cada “não”. Decidiram, então, procurar um supermercado que ainda estivesse aberto para, quem sabe, comprar uma casinha de transporte e, talvez, levar o cachorro para São Paulo no ônibus.

Compraram ração, mas não havia casinhas. Seguiram para a rodoviária de Ribeirão e continuaram buscando ajuda. A hora de embarcar se aproximava.

– Como é que a gente iria largar ele ali?

Ninguém podia ajudar, ninguém sabia o que fazer. A companhia de transporte foi taxativa: o cachorro só poderia embarcar com casinha, carteira de vacinação atualizada e uma passagem a mais. A passagem, tudo bem. Breno e Bia já estavam dispostos a gastar o que fosse para levar embora o animal, que a essa altura já era parte da família. Mas, e todo o resto?

Foi um chororô danado. Ela chorava de um lado, Breno e o cachorro – ainda abraçados – choravam de outro.

Chega, então, um casal que também estava no João Rock e também voltaria para São Paulo. “A gente viu esse cachorro lá no festival!”. Ficam sabendo de todo o rolê que Breno e Bia enfrentavam e tentam ajudar.

Ligam para um amigo: quem sabe rola uma carona. Ligam para outro: nada feito.

E tomam a decisão que contraria a lei, mas parecia a única possível. Breno e Bia não tinham nem mesmo lugar para dormir em Ribeirão. Com um cachorro, então! O jeito era ir embora. Combinaram todo o plano. E Breno ainda fica ressabiado de falar:

– A gente sabe que o que fizemos não foi legal. Mas foi para salvar uma vida! O bem sempre vence!

Casal adota cachorro no João Rock

A passagem de Breno e Bia não era para leito, o que os impossibilitava de esconder o cachorro com maior espaço entre as poltronas. O casal recém-chegado, então, se candidatou. Levariam o cão escondido! E assim foi.

Breno e Bia correram de táxi até a mini rodoviária de Ribeirão, já que na rodoviária a história tinha se espalhado e o plano poderia ser descoberto de imediato. A amiga falou para o motorista que precisava pegar algumas coisas com uns amigos, que a encontrariam lá. Conseguiram chegar primeiro do que o ônibus. Tiraram tudo o que estava dentro da mochila e colocaram o mais novo amigo.

– Ele ficou nervoso quando viu que a gente ia fechar a mochila. Mas daí eu conversei com ele: ‘Fica calmo que vai dar tudo certo. Ajuda a gente! A gente vai estar junto daqui a pouco’.

E assim foi. O cachorro ficou quietinho dentro da mochila e seguiu em silêncio depois que o casal o retirou e o colocou na poltrona. Passou quatro horas sem um latido sequer, colaborando com o resgate.

– A gente chorou muito. Não dormi a viagem inteira, até chegar lá, pegar ele e pronto: vida nova!

Para descer, vai o cão para a mochila de novo. E sai outro. Batizado e já muito amado!

O cachorro João Rock, desde sábado, vive rotina de rei.

Banhos, brinquedos, ração, carinho em altas doses!

Breno e Bia, ambos de 24 anos, são casados há três. Tem outras duas cachorras, Luna e Maia, que também foram adotadas. Não pensam em ter filhos humanos e, então, planejam adotar mais três cachorros.

– Nosso sonho é ter seis! Estamos chegando lá!

 

Trabalhando como publicitários, passam algum tempo fora de casa. Os cachorros ficam sozinhos? Nada disso. Alguns dias estão sob os cuidados da “avó” e nos outros vão para  a creche canina. João também será matriculado.

Breno fala do novo parceiro e se emociona.

– Eu olho para ele e choro. Ele é incrível.

O veterinário disse que João tem cerca de oito meses de vida. Um filhote, com muita história pela frente. Já ganhou página no Instagram – joaorock_thedog – a pedido de seus muitos fãs. Breno fez uma postagem no Facebook contando essa história e, claro, o post viralizou. Todo mundo quer saber como está a rotina do cachorro roqueiro.

– Ele merece toda essa homenagem.

Casal adota cachorro no João Rock

Breno não tem dúvidas de que há de vir muita história dessa parceria. Ele pensa em ir além. Quem sabe criar um espaço nos festivais, com acolhimento aos cachorros perdidos que aparecem durante a festa?

De tudo, a lição que precisa ficar é clara:

– Fazer o bem, sem medo. Ou com medo… a gente teve muito medo. Mas algo dizia para fazermos isso… é o que vale para a vida.

O segundo João Rock de Breno e Bia já ficou para a história. De um jeito diferente do previsto.

Um novo sentido para o João Rock, que agora passeia duas vezes ao dia, late, brinca e – audacioso – essa noite já subiu de mansinho na cama e se acomodou por ali. Quem há de reclamar?

– Foi uma das maiores coisas que já fiz na vida. Com certeza, é a melhor história que eu tenho para contar!

 

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Mostrando 5 comentários
  • Gleize
    Responder

    Ganhamos mais um filhinho pra familia, um amor pra vida toda e esse olhar lindo todos os dias!!!

  • Rosaura Ciste oliveira
    Responder

    Que lindo parabéns também adotei minha Mel a 10 anos hoje não me imgino sem ela. Felicidades ao João Rock e sua família linda??

  • Silvia Morais
    Responder

    Me emociono muito com essa história. Pessoas assim dao esperancas para continuarmos acreditando na humanidade

  • Regina Paixão Barreto
    Responder

    Linda história, narrada com toda emoção e sensibilidade que os personagens merecem.

  • Fábia C Fávaro Silli
    Responder

    Linda história … já tinha visto mas li tudo de novo… não somos nós que escolhemos os animais, são eles que nos escolhem… que grande honra ser escolhido pelo amor… animais são puro amor… aiai me emocionei… 🙂

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