Com trajetória na diversão, Rodger criou Park do Gorilão em Ribeirão  

Na adolescência, Rodger cogitou seguir para a área da Medicina, pensando em se tornar cardiologista. A vontade foi ofuscada por uma paixão maior. Mas a emoção continuou sendo a base de sua profissão. Como empresário do setor de diversão, ele faz corações acelerarem e outros acalmarem, de acordo com a adrenalina do brinquedo.

Garante que em momento algum da trajetória se arrependeu da escolha.

  – O parque produz momentos únicos, inesquecíveis. O que me encanta é ver o encantamento das pessoas. O prazer de levar alegria é o que realmente marca. É gratificante.

O tio-avô foi quem começou no ramo, com um parque de diversões pequeno que viajava por cidades no entorno de São Paulo. Convidou o pai de Rodger, Roberto Augusto, para uma sociedade e o empreendimento foi crescendo.

Rodger Augusto, 48 anos, passou a infância em meio aos brinquedos. O pai montou um depósito em Rio Claro, cidade onde moravam, e o menino mal chegava da escola e já corria acompanhar a manutenção de um carrinho, a revisão de uma montanha russa.

Aos 17 anos, então, decidiu que a Medicina ficaria para trás. A decisão não foi simples, ele conta. A dúvida era grande e a mãe torcia para que o filho seguisse pela área da saúde.

O momento chave se deu nos EUA, em viagem com um amigo. Conheceu a Disney, mudou a forma de olhar o parque de diversões e, definitivamente, se encantou pela ideia de vender algo que “só faz bem”, em suas palavras.

– Eu percebi que era um negócio promissor e havia possibilidade de crescimento.

Voltou determinado a trabalhar com o pai e logo fez seu primeiro evento: a Feira do Morango, em Jundiaí. Coordenou sozinho o bate-bate, o carrossel de bugs e uma roda-gigante. Relembra que os brinquedos estavam um tanto velhos, precisando de manutenção. Mas se saiu muito bem na sua primeira empreitada. Tanto que ganhou confiança para buscar algo maior.

Se lembrou da visita que fizera com a escola para a Expoflora, em Holambra. E que lá não havia entretenimento além da exposição. Pegou o carro – sem habilitação -, dirigiu até a cidade e negociou com os organizadores. Voltou com o “sim” e muita expectativa.

– Mas foi muito melhor do que a gente esperava! Foi uma explosão de faturamento! Saber que eu estava produzindo algo, levando dinheiro para os meus pais foi muito bom.

Em 60 dias, tinha um grande evento, com recorde de faturamento, no currículo de iniciante. Começou dando certo. E continuou assim!

Hoje, a Coney Island é uma das maiores empresas de entretenimento do Brasil, com parques espalhados em diversos estados e mais de 200 equipamentos, entre eles uma das maiores rodas gigantes em território nacional.

Rodger diz que a empresa chega a coordenar 25 parques simultâneos. Faz questão de estar sempre perto. Mora em Ribeirão Preto, onde está um de seus parques, o Gorilão. Conta, entretanto, que nos dois primeiros meses deste ano já havia passado 27 noites fora de casa.

– Esse é um dos nossos diferenciais. Eu consigo ver os mínimos detalhes. Se tem uma luz apagada, se a limpeza está adequada, a pintura, a manutenção.

Hoje, a empresa só não opera aquários e parques com neve. Se depender de Rodger, por pouco tempo, entretanto. Desde o momento em que decidiu se dedicar à diversão, ele não parou um só minuto de pensar, planejar, crescer. Ocupa também o cargo de diretor itinerante da Adibra (Associação das Empresas de Parques de Diversões do Brasil),

Uma nova roda-gigante vem aí, ele avisa. Com 35 metros, maior ainda do que a aquela que já ocupava estava no ranking das maiores do Brasil. Rodger mal pode esperar!

Park do gorilão Ribeirão Preto

A história de Rodger começou a ser escrita em parques de diversões duas gerações antes de seu nascimento.

Ele conta que seu pai era taxista e morava em São Paulo quando, no final da década de 50, o tio-avô fez o convite para que tocassem juntos o parque, que também já tinha uma história.

Os tios-avós tinham um bar na região central de São Paulo. Entre o público cativo, estavam funcionários de circos e parques em turnê pela capital. Como o bar ficava aberto até altas horas, a equipe passava por ali para comes e bebes quando o expediente terminava.

Foi assim que o tio entrou no segmento – e levou os sobrinhos.

Assumiu o parque Shangrila e começaram a viajar pelo interior de São Paulo. Em uma das viagens, para Rio Claro, o pai de Rodger conheceu a mulher com quem dividiu a vida e teve, além de Rodger, outros dois filhos.

Ela trabalhava no setor de tributos da prefeitura. E ele precisou passar por lá para resolver as questões do parque, que se instalara na cidade. Pronto! Se apaixonaram e se casaram por volta de 1958.

Em 1964, surgiu a oportunidade que faria o empreendimento ganhar mais visibilidade. Compraram o nome Coney Island, que vem de um parque em Nova York, e brinquedos fabricados na Alemanha.

Conforme os filhos iam nascendo, as viagens dos pais de Rodger se complicavam um pouco mais. Em algumas, a família ia em peso. Em outras, a mãe ficava para cuidar dos pequenos. Ele conta que, naquela época, os brinquedos eram transportados de trem. Tanto que seu tio-avô passou a morar em Bauru, onde havia uma estação que facilitava as viagens.

Os filhos foram crescendo em meio aos brinquedos. Rodger relata que foi o primeiro a querer dar seguimento ao empreendimento do pai, quando o negócio atravessava um momento de dificuldade.

– Deus me deu sabedoria, conhecimento e me capacitou.

Park do gorilão Ribeirão Preto

Para que o empreendimento crescesse, ele estudou e se especializou no setor. Fez viagens para as feiras de parques nos EUA, conheceu fábricas na Itália, está sempre buscando algo novo. A cabeça e os planejamentos não param.

– Até hoje o Brasil é muito restrito. Cerca de 95% dos equipamentos são importados.

O Parque do Gorilão, que fica em Ribeirão Preto, foi inaugurado em 2001. O Novo Shopping acabara de abrir as portas e Rodger apostou que iria dar certo.

– Sempre gostei da área de Shopping. Vi aqui um grande potencial!

Durante a construção do parque, conheceu a mulher com quem é casado e tem filhos. Ela foi a arquiteta indicada para a obra. Mais uma história entrelaçada ao parque.

Seu pai faleceu em 2017, “trabalhando até o fim da vida”, como Rodger diz.

Hoje, é ele, então, quem coordena inteiramente a empresa, com a postura de estar o mais perto possível de tudo.

– Riscos existem aqui ou na Disney. O que nós procuramos fazer é identificar, acompanhar, ter comprometimento e responsabilidade com os visitantes.

Ele testa todos os brinquedos antes de adquirir. E tem seus preferidos:

– Os que proporcionam passeios, têm sensações evolutivas. Por exemplo uma montanha russa suave ou uma roda-gigante!

Rodger faz questão de abrir as portas dos seus parques para que todos – sem distinção – possam brincar. Com os projetos de integração, ONGs e instituições não precisam pagar ingressos a partir de agendamento prévio. No Gorilão, todo mês de abril há o dia da acessibilidade. Crianças com deficiência são recebidas com festa e acolhimento.

– Nós proporcionamos a mesma sensação para todas as pessoas. No parque, vão pessoas de todo tipo: do milionário ao humilde.

Ele afirma que o crescimento financeiro que o empreendimento trouxe foi um resultado da dedicação que colocou.

– Me pai sempre dizia que na vida a gente tem que fazer o que gosta, casar com quem a gente gosta e o resto é consequência. O dinheiro não foi o objetivo. Eu deixei de estudar pelo amor à essa atividade, pela vontade de estar ali.

Já faz planos de continuidade. Tem confiança de que um de seus filhos irá assumir o negócio e levar o empreendimento para a quarta geração. Acredita que há, ainda, muito a crescer.

– O Brasil é fantástico. Um lugar de muitas oportunidades. A América Latina é um povo que consome entretenimento!

Quer continuar atuando no segmento da emoção. Coração batendo forte sempre foi, afinal, sua preferência.

 

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