Fisioterapeuta Andrea ajuda pacientes com Covid-19 a respirarem melhor  

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– Quando você percebe que seu trabalho pode impactar a vida da pessoa, sente um estímulo muito grande para continuar.

Ajudar a respirar. Desde que os casos da Covid-19 chegaram a Ribeirão Preto essa tem sido a principal função de Andrea Rossi Campos, 46 anos.

Escalada para o setor de coronavírus do Hospital das Clínicas de Ribeirão, instituição onde trabalha há 20 anos, ela encontrou coragem no tempo de profissão. Fisioterapeuta, é parte essencial no tratamento dos pacientes com a doença.

– Eu decidi enfrentar. Busquei forças no que tenho de experiência como profissional. Não vou dar suporte para uma doença, mas para uma pessoa que está muito assustada, longe da família, com medo.

Todos os dias, Andrea ajuda pacientes a respirarem melhor, tentando aliviar a falta de ar e o comprometimento pulmonar causado pelo vírus.

– A equipe de saúde foca muito no fisioterapeuta, porque nós conseguimos estar mais tempo próximos do paciente, observando a oxigenação, atentos à evolução do caso.

Exercícios respiratórios para melhorar a oxigenação e dar mais conforto, exercícios para a circulação, monitoramento detalhado da situação dos pacientes: são algumas de suas funções.

– Os pacientes críticos podem estabilizar. Com fisioterapia, é possível ver a melhora dos

pacientes infectados pela Covid.

Ela é o convívio diário de pacientes que estão isolados de suas famílias, aflitos, inseguros. Procura, então, levar mais do que o atendimento técnico.

– Eles só têm contato com a equipe médica. Se conseguirmos passar segurança, mostrar que ele está sendo bem atendido e que a doença não é impossível de ser vencida, o paciente vai se acalmar e te ajudar no tratamento.

Entre todas as funções, torce para que não seja preciso entubar. Sinal de agravamento do quadro. Assim como as melhoras, tem visto casos graves todos os dias. Ela lamenta: eles ainda são maioria.

– O esperado seria termos idosos com complicações, mas não tem sido assim. Temos pacientes jovens, sem doença prévia em situação crítica.

Enfrenta a pandemia na linha de frente. O carinho pelo cuidar a acompanha diariamente.

– O profissional precisa ter amor e compaixão por aquelas pessoas que estão precisando de atendimento; passar segurança para ele, explicar a doença, o que está sendo feito.

Profissionais da saúde coronavírus covid

Andrea nasceu em Minas Gerais, mas cresceu no nordeste do Brasil, Fortaleza.

A mãe era dona de casa e o pai engenheiro. Chegou a fazer dois anos de Engenharia, inspirada por ele. Não foi possível esconder a vontade que já pulsava, porém.

– Não era aquilo! Desisti e fui para a Fisioterapia.

Se formou em 2000 e decidiu prestar residência no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, a milhares de quilômetros de casa. Veio com duas amigas para fazer a prova. Foi a única que passou.

– Vinte anos é bastante tempo! Eu vejo todo dia a possibilidade de fazer alguma coisa para melhorar a qualidade de vida do paciente. Quando você consegue vencer um desafio, encontra estímulo para continuar trabalhando, fazendo da melhor forma.

Entrou no HC e nunca mais saiu. O hospital se tornou sua “casa profissional”. Conta que passou por setores diversos do hospital. Atuou por sete anos na pediatria e, antes da pandemia, estava no atendimento ambulatorial de reabilitação da pneumologia.

Fez mestrado na USP e deu uma pausa nos planos do Doutorado para realizar a vontade da maternidade. Hoje, mora com a mãe de 70 anos e a filha de 11.

– O meu maior medo é levar o vírus para elas.

As duas estão em isolamento total desde março e Andrea só sai para trabalhar no hospital. Quando chega, passa por todo um processo de limpeza e desinfecção antes do abraço.

Reformularam a casa. Retiraram objetos de decoração deixando o ambiente mais fácil de ser limpo. E seguem unindo forças.

– Sabe o filme “A vida é bela”? Eu tento tranquilizar minha filha para que essa situação não deixe traumas no futuro. Procurou conversar, jogar, brincar. Tento manter a normalidade.

A pequena faz apertar o coração, que além de fisioterapeuta é também de mãe.

– Se ela não tiver tantas dificuldades eu consigo me acalmar.

Andrea tem um falar tranquilo. Até quando conta dos desafios, usa as palavras com pausas e calmaria.

– Quando você consegue se acalmar e trabalhar com segurança, acalma também quem está ao seu lado. Isso se reflete na equipe e nos pacientes.

Entende que tudo é parte da caminhada: perdas e conquistas.

– Momentos ruins podem servir de aprendizado para que você não perca a esperança. Toda a tristeza de ver um paciente ir a óbito pode ser revertida no próximo atendimento. Você tenta fazer diferente, sempre sabendo que a luta não vai ser em vão.

O contato com os pacientes é muito próximo. Precisa, então, estar totalmente paramentada e protegida: luvas, máscara, avental, proteção no rosto. São 10 minutos para se preparar. A cada paciente atendido, toda aquela paramentação é descartada e outra é colocada.

– Quando perguntaram quem queria ir para o setor do Covid, muitos profissionais tiveram receio. Eu decidi me voluntariar. Vou enfrentar. Não vou ficar com medo.

A calmaria vem na mesma medida do otimismo.

– Os pacientes são graves, mas com boa vontade e trabalho em equipe vamos conseguir condições para que eles sejam bem atendidos.

O segredo?

– Estou vivendo um dia de cada vez. Temos que aprender a viver no presente. Se vivermos no futuro em um momento como esse a ansiedade não nos dá chance de realizarmos o que precisamos no dia de hoje.

Faz um apelo. É preciso que cada um faça a sua parte.

– Eu queria muito que as pessoas se conscientizassem e ficassem casa.

As férias com a filha estavam planejadas. As duas iriam para fora do país e já estavam cheias de ideias. Tudo adiado. Andrea segue na linha de frente, fazendo o melhor todo dia. Ajudar a respirar é sua grande missão no momento.

 

Foto: arquivo pessoal

 

 

*Quer traduzir essa história em libras?
Acesse o site VLibras, que faz esse serviço sem custos:
https://vlibras.gov.br/

 

 

 

Mostrando 4 comentários
  • Altiva Teresinha Dettogni
    Responder

    Parabéns Andrea pela força,coragem e amor ao proximo

  • Edilene Ferraz
    Responder

    Que Deus te abençoe infinitamente, Andréa. O seu trabalho é lindo. Estamos sempre muito orgulhosos de você e só temos agradecer pela sua dedicação de amor. Parabéns a você e a todos os fisioterapeutas. Vcs fazem toda a diferença .. gratidão!

  • Cidinha
    Responder

    Parabéns guerreira ,vc é motivo de orgulho para todos nós.

  • Sandra Bianco
    Responder

    Gratidão !!! Sinto muito orgulho de vc e seus pais.

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