Há mais de meio século, comida de Tigrinha faz de Jurucê atração turística

É sábado. A praça do pequeno distrito de Jurucê está lotada de gente. Chega a formar fila de espera. O cheiro se sente de longe.

– Cozinhar, sou só eu. Ninguém mexe nas minhas panelas.

A comida da Tigrinha leva mais de mil pessoas de toda a região à Jurucê por final de semana. Metade de toda a população do distrito!

A conta é feita com base na quantidade de pratos que saem da cozinha de uma cozinheira só.

Tigrinha até aceita ajuda para fritar as porções, lavar uma salada. Quem mexe as panelas de polenta, arroz, feijão tropeiro e outras tantas delícias caseiras há mais de meio século é ela, porém.

– Ih, você tá achando essa panela grande? É porque não viu as panelas que eu uso nos finais de semana.

A entrevista foi numa segunda-feira. Único dia em que o bar não abre e o almoço é feito só para a família. Único dia de folga que Sueli Cardoso Riul, a Tigrinha, torce para passar logo.

– Hoje para mim é muito ruim. O dia não passa. Eu canso se eu ficar parada. Como é mesmo aquele ditado? ‘Tem que fazer o que gosta…’, algo assim!

Bar da Tigrinha em Jurucê

Há mais de 90 anos, o ponto, em frente à praça da Catedral de Jurucê – cerca de 17 quilômetros de Ribeirão Preto –  é da família de Tigrinha.

Foi o avô quem comprou e fez armazém.

– Naquele tempo, o pessoal que morava nas fazendas fazia compra por ano e mandava anotar. Se comprava de tudo na venda: arroz, feijão.

Tigrinha conta que seu pai ia de Ribeirão Preto para Jurucê todos os dias de bicicleta trabalhar no negócio do avô.

– Ele tinha que sair às quatro da manhã. Era muita batalha.

Para encurtar o caminho, decidiram: Tigrinha, que na época tinha 10 anos, iria morar com os avós para ajudar na venda.

– Eu era um cisquinho. Meu avô fez uma grade para eu subir e conseguir atender o balcão.

Desde então, há 53 anos, ali é o lugar dela.

Não teve outros empregos, não mudou de ponto. Só expandiu.

Quando o avô se aposentou, o pai mudou para Jurucê para tocar o negócio. Quando decidiu também se aposentar, Tigrinha já trabalhava ali há mais de trinta anos.

O movimento não estava indo bem.

– Foi abrindo muito mercado grande, as famílias foram indo embora da fazenda e a venda já não funcionava.

Decidiram, então, transformar o armazém em restaurante. Ela já cativava os clientes mais próximos com refeições “vip”.

– O pessoal mais chegado vinha aqui para comer a minha comida.

Há 16 anos, então, o Bar da Tigrinha abriu as portas e passou a lotar a praça de Jurucê com seu cheiro de delícia.

Bar da Tigrinha em Jurucê

Foi o marido quem colocou o apelido Tigrinha.

Se conheceram quando Sueli ainda era menina, subindo a grade para atender.

– Ele fala que eu sou brava. Mas não sou nada. Para eu ficar nervosa é uma vez por ano.

A administração do negócio já começa a atingir a quarta geração.

Dividiram o espaço do restaurante e o filho de Tigrinha montou açougue encostado, de onde saem as carnes servidas nas porções. O neto, que hoje tem 18 anos, ajuda desde os 10 a servir a clientela.

– É patrimônio. Uma vida, né?

Fala do homem que começou comendo pão com mortadela no armazém do avô e hoje não passa um domingo sem ir ao restaurante para uma refeição.

Por ali, vê crescer gerações inteiras.

– O bom disso tudo é que você cria amizade. Fica tudo família.

Tigrinha diz que até pensou em se aposentar este ano. É preciso pique: o bar abre a partir de terça às 16h e aos finais de semana às 9h.

Ela praticamente não dorme aos sábados e domingos: chega às 7h e só sai perto da madrugada, quando as portas se fecham.

Por isso, a ideia de aposentar passou voando pela cabeça. Os filhos se queixaram, os clientes também e ela logo mudou de ideia.

– Eu canso se eu ficar parada. Vamos ver até quando fico! Só Deus para saber.

Relembra, então, o ditado que buscava no começo da conversa.

– É assim: ‘Você tem que fazer o que gosta e amar o que faz’. Eu amo o que eu faço!

O gosto de delícia que dá nó no estômago de quem passa pela praça lotada não deixa dúvidas!

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Bar da Tigrinha em Jurucê

Mostrando 7 comentários
  • Juan
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    Parabéns pela história!! Ótima comida com um ambiente familiar e receptivo!! Super recomendo!!!

  • Maria Helena Riul Nunciatelli
    Responder

    Adorei a história e as comidas são muito boas realmente. Lembrei tb do meu avô Regulado Riul.

  • Maria Helena Riul Nunciatelli
    Responder

    Adorei a história e as comidas são muito boas realmente. Lembrei tb do meu avô Regildo Riul.

  • Gisele
    Responder

    Amooooooo as histórias do Dia ????

  • klaudio
    Responder

    Sera ki dona Triguinha,caprixa tamem na empadinha di kamarão!!!!!

  • Lurdinha
    Responder

    Acho que vou num final de semana almoçar aí com minha família. Moro em Altinópolis e não conheço Juruce…..!!!! Deu vontade de experimentar essa comida….!!!!

  • Fábio Luís riul
    Responder

    Meu pai Adalberto riul adorava ir lamoçar lá de demingo com a tigrinha marido e familia

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