Movimento que abriu a Nove de Julho quer “Ruas Vivas” em Ribeirão

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História narrada pela jornalista Daniela Penha. 

 

O que é uma rua? Duas arquitetas, um estudante de arquitetura, uma antropóloga que também é farmacêutica, uma fotógrafa: são alguns integrantes do grupo que se uniu para desconstruir as respostas sobre a questão.

Desconstruir, em meio à correria do urbano, a ideia de que a rua é só passagem, trajeto que serve ao carro. E onde ficam as pessoas entre os tantos veículos que abarrotam os espaços?

O Movimento Ruas Vivas levou cerca de 10 mil pessoas para a avenida Nove de Julho, no dia 29 de setembro, e plantou uma semente. “Um jardim inteiro”, nas palavras de Carla Meireles Roxo, 33 anos, uma das idealizadoras da ideia.

Cantores, atores, contadores de histórias: artistas com toda arte se apresentaram na rua, que foi aberta para as pessoas e fechada para os carros. Artesãos, pequenos e grandes comerciantes fizeram negócio. Crianças e adultos, gente que há muito transita pela avenida, pôde vê-la pela primeira vez. De dentro, debaixo da sombra das sibipirunas.

– Como a percepção mudou! Muita gente vinha dizer: ‘O piso não está tão ruim. Os paralelepípedos não atrapalham’. E o quanto as árvores foram valorizadas!

Diz Luciana Freitas, 47 anos, integrante do movimento e também do coletivo MobiCicleta.

A rua pulsou naquele domingo e as pessoas pulsaram junto. Trocaram, confraternizaram, abraçaram a ideia.

– O que é uma rua? É só um trajeto? Ou é um lugar que conecta pessoas, tempos, histórias? A gente perdeu isso. A cidade perde a função.

Nos questionamentos de Paola Bernardi, 43 anos, arquiteta, integrante do Movimento Ruas Vivas e também do projeto Caraminhola.

Movimento Ruas Abertas Ribeirão Preto História do Dia

A Nove de Julho aberta foi início no longo de caminho. E deu tão certo que a Prefeitura de Ribeirão Preto acolheu a ideia e está organizando, junto ao movimento idealizador, outros dois domingos de rua fechada para os carros: 10 de novembro e 8 de dezembro.

Baita conquista para quem, há muito, vem plantando. Uma só via no caminho para o movimento que quer ver a ideia compartilhada, novas iniciativas ocorrendo, uma transformação integral na forma de enxergar a cidade.

– Nós queremos que os motoristas, pedestres, ciclistas possam conviver com mais respeito. Nosso mote é ‘cidade para pessoas’ de todas as formas que isso for possível.

Nas palavras de Carla.

Movimento Ruas Abertas Ribeirão Preto História do Dia

O grupo explica que o movimento teve início cerca de um ano atrás, quando a proposta de asfaltar a avenida Nove de Julho começou a ganhar coro na cidade, encabeçada também nas redes sociais.

– Foi nítido que as pessoas perderam a relação com o patrimônio, com a história. O ribeirão-pretano descolou de sua relação com a cidade.

Nas palavras de Carla.

No dia 5 de setembro de 2018 foi realizada uma primeira audiência para começarem a discutir o Movimento Ruas Vivas com a população. Além da sociedade civil, o grupo é formado por projetos como “O Centro é Legal”, “Caraminhola”, “MobiCicleta”, “Espaço Urbano RP” e pelo Fórum das Inovações Urbanas. União de ideias e forças.

Depois desse primeiro momento, o Ruas Vivas já promoveu reuniões abertas e aprovou a inclusão da Semana da Mobilidade Urbana no calendário oficial de eventos do município. Mobilidade é assunto de todos e é preciso que o poder público se comprometa. Deborah Cavalcante, fotógrafa e idealizadora do projeto “O Centro é legal”, explica:

– A gente quer mostrar para as pessoas que dá para ter outras formas de mobilidade, que não o carro. Tem a bike, o ônibus, dá para ir a pé. Queremos trazer a comunidade para se inspirar em outros modelos.

A abertura da avenida Nove de Julho, inspirada no projeto da avenida Paulista, de São Paulo, encerrou a Semana da Mobilidade de 2019.

– Nós tivemos a participação do poder Legislativo, da sociedade civil e da sociedade civil organizada e do Executivo: união que a gente deveria ver mais em outros projetos e ações.

Carla frisa.

Movimento Ruas Abertas Ribeirão Preto História do Dia

Para Paola, o movimento engloba a mobilidade e também a integração.

– A minha questão é a diversidade, a inclusão. Chegar em quem não pode estar em determinados lugares para que essas pessoas percebam que o assunto lhes pertence, sim.

O grupo, agora, está com energia de sobra para prosseguir.

– A repercussão foi surreal! A gente recebe mensagens diariamente, de pessoas interessadas em parcerias, artistas querendo participar. Foi muito além do que a gente pensava!

Conta Deborah. A pauta atual é lutar por um projeto de lei que faça a regulamentação do programa.

– A gente quer permitir que a sociedade consiga que a sua rua também seja aberta, que outros bairros também façam isso.

Nas palavras de Carla, com complementos de Matheus Guariz Homem, estudante de arquitetura que integra o movimento:

– Queremos que, um dia, ir para a rua seja natural.

O que é uma rua? Naquele domingo, uma das principais vias de Ribeirão foi encontro, partilha, espaço de convivência. Cidade pulsando, história contada. Rua viva: como quer o movimento.

 

*Quer traduzir essa história em libras? Acesse o site VLibras, que faz esse serviço gratuitamente: https://vlibras.gov.br/

 

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Saulo Gomes jornalistaGerson escreve histórias da Turma da Mônica há 18 anos