Vale a pena ler de novo: Fabiola criou grupo que une mais de 249 mil ‘borboletas’

Texto publicado pela primeira vez em 22 de fevereiro. 

 

“Panapaná”, palavra que vem do tupi, é o coletivo de borboletas no dicionário. No mundo digital, outro significado surgiu: mulheres em interação.

– Tem que ter selfie!

Fabiola Medeiros abre um sorrisão à primeira integrante que aparece. Em uma hora e meia no café para esta entrevista, foram três.

Abraçam a criadora do grupo no Facebook que soma mais de 249 mil seguidoras – e cresce a cada dia. Tiram fotos, conversam e uma chega a mostrar, toda orgulhosa, a borboleta bordada com paetês na camiseta branca.

– Adorei isso, hein?

Fotógrafa de profissão, Fabiola hoje se define como uma comunicadora.

– Eu sou uma influência para as pessoas!

A criadora do Clube da Borboleta diz que foi “atropelada” pelo crescimento monstruoso de um grupo que nasceu há quatro anos, com 70 integrantes e sem maiores pretensões.

Já se recuperou do susto, porém. E dá passos largos em direção à expansão desse espaço virtual promissor.

– É um grupo de integração. Um refúgio. Um espaço de alto astral.

O Clube da Borboleta, ela conta, é considerado “pelo pessoal” a “Rede Globo do mundo virtual”. E se alegra.

Fabiola é fotógrafa. Criou um grupo no Facebook para facilitar a comunicação entre as clientes e aumentar a clientela. Eram não mais que 70 integrantes, a maioria gestantes em busca de uma sessão de fotos.

Entre uma postagem e outra, o espaço foi se tornando roda de conversa digital. E ganhando mais e mais adeptas. Quando Fabiola decidiu nomear como Clube da Borboleta, tudo tomou ainda mais forma.

As integrantes passaram a chamar umas às outras de “borboletas”. E uma identidade estava criada.

O clube ganha, em média, três mil novas participantes por mês. Para participar é preciso ser mulher, ter mais de 18 anos e receber o convite de uma amiga que já participe.

A primeira postagem traz o “bem-vinda” e um manual de convivência que explica tim-tim por tim-tim a dinâmica do clube, o que é permitido e proibido, e as melhores formas de interagir e publicar.

Um grupo de 60 coordenadoras, que são dividas nas categorias “masters”, “moderadoras” e “administradoras”, de acordo com o grau de participação no espaço, é responsável pela organização.

Elas fazem a triagem das publicações, postam conteúdo, mediam conversas, buscam sempre dar uma resposta para quem faz alguma publicação e apagam incêndio, quando a discussão vem. Coisa que não é rara.

– A meta é manter o alto astral!

Fabiola frisa.

Para isso, alguns assuntos não são bem-vindos. Política e temas polêmicos como aborto, parto normal x cesárea são vetados pelas coordenadoras. Pedidos de curtidas em fotos, doação, dados pessoais, indicação de remédios e tratamentos também não passam.

A coordenação precisa aprovar as postagens antes da publicação.

Os posts, em sua maioria, são de comentários sobre o dia-a-dia, desabafos do cotidiano, brincadeiras que levam à interação entre as participantes, fotos de encontros entre as “borboletas”.

Os pedidos de indicação de profissionais vão de encanador a ginecologista e sempre há resposta.

– Eu prefiro assim. O mundo também vive de futilidade. Existem outros espaços para se aprofundar sobre os assuntos. O clube é de amenidades.

Entre as fotos de perfil das integrantes do Clube da Borboleta, há de todo tipo: jovem, mãe de família, idosa, branca, negra, magra, gorda, de cabelo cumprido, cabelo curto, solteira, casada.

Fabiola diz que 80% das integrantes do grupo são de Ribeirão Preto, cidade onde ela vive, e os outros 20% estão espalhados até mesmo fora do país. A estimativa é de que 5% tenham mais de 60 anos.

Nas publicações, a diversidade fica clara. E nos eventos mensais que o grupo organiza as diferenças ficam escancaradas e, então, deixam de ter qualquer importância.

Os encontros vão de café da manhã e piquenique, a jantar e bolão da dieta. O objetivo é que as integrantes possam se conhecer e interagir. Tudo é gratuito. Bancado pelos patrocinadores e anunciantes do grupo.

– Quando nós organizamos um evento procuramos pensar nos detalhes: Passa ônibus? Dá para ir de Uber?


 

No Clube da Borboleta, todo mundo tem seu espaço.

Um vídeo que a criadora posta chega a ter mais de 4 mil visualizações. E a publicação de uma participante sobre opções para o Carnaval, por exemplo, ultrapassa mil curtidas.

Há uma política de brindes e recompensas: quando a integrante compra ou usa um serviço de empresas parceiras do clube, recebe um adesivo ou chaveiro. Apresentando o brinde em outros lugares parceiros, a borboleta ganha descontos.

Uma das brincadeiras é que a borboleta encontre o adesivo do clube colado no carro de outra borboleta e poste uma foto.

Entre as diversas marcas de carro que ganham o colante e viram foto no grupo, uma gari colocou o seu no carrinho que usa para recolher lixos pelas ruas da cidade. E o grupo aprovou em milhares de curtidas.

– São pessoas reais. As mulheres se veem num grupo onde os destaques são muito próximos delas.

O próximo passo de Fabiola é transformar o clube em empresa de entretenimento e publicidade. É o caminho de oficializar o que já é um negócio.

O número de anunciantes e patrocinadores para o clube só aumenta.

Fabiola explica que as coordenadoras ganham porcentagem sobre os anúncios que vendem. Mas a ideia é criar postos de trabalho.

– Quero gerar oportunidade e descobrir talentos. A gente descobre muita coisa no grupo. Temos fornecedores de todo tipo de serviço.

A criadora diz que, além do tempo, investiu R$ 42 mil na sua criatura e até hoje não pegou para si o retorno financeiro que o grupo dá. A ideia de registrar como empresa é também para distribuir salário.

Ela admite que “mais de uma vez”, em suas palavras, acordou com vontade de deletar o grupo e pôr fim a história das borboletas. Diz que a exposição da vida pessoal e a trabalheira cansam.

– Tem mais pontos positivos que negativos. O clube me trouxe muitas realizações.

Logo, retoma as asas. E volta a voar em coletivo.

 

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Mostrando 5 comentários
  • Michelle Zago
    Responder

    Adoro o clube ??

  • Nina
    Responder

    #orgulhodeserborboleta

  • REGINA HELENA DE JESUS YAMAGUCHI
    Responder

    Acredito muito no clube.
    Me sinto feliz em ver os comentários em cada post feito,em cada ação realizada e a diversidade que essas Borboletas tem.
    Sou parceira do clube porque me identifico muito,tenho muitas idéias e não tenho medo do novo de errar e começar de novo!
    #AMOSERBORBOLETA#

  • Gil Monteiro Silva
    Responder

    #orgulhodeserborboleta

  • Ana Norma Batista dos Santos
    Responder

    #Borboleta cm certeza#

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