Personalizar preferências de consentimento

Utilizamos cookies para ajudar você a navegar com eficiência e executar certas funções. Você encontrará informações detalhadas sobre todos os cookies sob cada categoria de consentimento abaixo.

Os cookies que são classificados com a marcação “Necessário” são armazenados em seu navegador, pois são essenciais para possibilitar o uso de funcionalidades básicas do site.... 

Sempre ativo

Os cookies necessários são cruciais para as funções básicas do site e o site não funcionará como pretendido sem eles. Esses cookies não armazenam nenhum dado pessoalmente identificável.

Bem, cookies para exibir.

Cookies funcionais ajudam a executar certas funcionalidades, como compartilhar o conteúdo do site em plataformas de mídia social, coletar feedbacks e outros recursos de terceiros.

Bem, cookies para exibir.

Cookies analíticos são usados para entender como os visitantes interagem com o site. Esses cookies ajudam a fornecer informações sobre métricas o número de visitantes, taxa de rejeição, fonte de tráfego, etc.

Bem, cookies para exibir.

Os cookies de desempenho são usados para entender e analisar os principais índices de desempenho do site, o que ajuda a oferecer uma melhor experiência do usuário para os visitantes.

Bem, cookies para exibir.

Os cookies de anúncios são usados para entregar aos visitantes anúncios personalizados com base nas páginas que visitaram antes e analisar a eficácia da campanha publicitária.

Bem, cookies para exibir.

João garapeiro é história de pai para filho

3 setembro 2019 | Gente que inspira, Histórias do Proac 2019/2020, Parte da gente

Esta história foi narrada por Antônio Carlos Coelho, a “voz da Feira do Livro de Ribeirão Preto. Para ouvi-la, é só clicar no play: 

Tocador de áudio

 

Vale a pena ler de novo! História publicada pela primeira vez em 6 de março de 2017!

 

Colada em um espelho no alto da garapeira, está a foto de João José Perone com a frase: “Morre o homem fica o nome”. Na lateral da Kombi, uma placa da rua com o nome que ficou. João Garapeiro Filho dá continuidade ao trabalho que o pai começou 62 anos atrás.

Faz questão de atender cada cliente que chega. O sorriso é marca registrada. Só não mais que o gosto da garapa: ele processa a cana na hora e bate no liquidificador com gelo e frutas – abacaxi ou limão, no paladar do cliente.

Ninguém sai de lá sem tomar um copinho.

– Meu pai era assim. Todo mundo tomava uma garapinha, com dinheiro ou sem.

Também era costume do João pai segurar o copo com o dedinho levantado e esbanjar brincadeiras, tentando deixar mais leve a rotina de quem passa pelo Centro de Ribeirão Preto. “Ô linda! Fala tchau para o João! Não pode ir embora sem falar tchau”, agora é o João Filho quem brinca.

–  Até hoje eu tento imitar meu pai. Igualar nunca, porque ele era ímpar.

A História do João Garapeiro é de pai para filho.

João Filho conta que seu pai abriu a garapeira em 1955, aos 35 anos, depois de muito trabalhar como caixeiro, vendedor, entregador de mercadoria.

Estacionou seu Fordinho 1929 em frente a agência dos Correios, na Américo Brasiliense. Em 1975, um estacionamento obrigou a mudança da garapeira para a rua Álvares Cabral.

Foi nesse mesmo ano que João Filho e a esposa começaram a trabalhar com o pai, que já estava com 55 anos e se dizia cansado.

– O meu pai me disse: ‘Filho, na garapeira você não vai ficar rico, mas vai ter uma vida confortável’.

João Filho estava com 20 anos e trabalhava no setor de compras de uma grande empresa. Deixou tudo e assumiu a garapeira ao lado da esposa. Criaram os dois filhos com o trabalho na cana.

O pai morreu em 1996, aos 76 anos e cedo demais para os filhos e os tantos clientes.

– Ninguém esperava por essa notícia na cidade.

Foi homenageado com um título de cidadão ribeirão-pretano, uma rua e uma praça com o seu nome no Jardim Botânico. Tudo história. A rua João Perone no passado era a fazenda onde o garapeiro buscava a cana.

O homem se foi. O nome ficou.

Há quatro anos, o João Garapeiro precisou mudar de endereço por determinação da prefeitura. Agora, fica na rua São Sebastião com a Álvares Cabral.

O tempo trouxe outras tantas mudanças – boas e ruins.

A cana que o pai tinha que buscar, limpar e cortar hoje já vem prontinha. O Centro, que era área nobre da cidade, hoje é descuido para João.

– O Centro acabou. Não existem mais as raízes, aquele calor humano. Não temos banheiro público, um bebedouro…

A garapa continua querida por ribeirão-pretanos e turistas. João vende, em média, 25 litros da bebida de cana por dia. Mas avisa:

– Hoje eu não prezo por ganhos, mas por qualidade e bom atendimento. O ser humano está pensando mais em ter do que em ser.

Toda quinta-feira, tira folga, para compensar o sábado que é dia de muito trabalho.

– Vem gente de toda a região para tomar garapa. Eu me sinto um anfitrião na minha cidade.

João Filho continua o legado do pai, com a certeza que já testemunhou: “Morre o homem, fica o nome”.

João Garapeiro, parte da história de Ribeirão Preto, já ficou.

 

*Quer traduzir essa história em libras? Acesse o site VLibras, que faz esse serviço gratuitamente: https://vlibras.gov.br/

 

Assine História do Dia por R$ 13 ao mês ou faça uma doação de qualquer valor AQUI.

Nos ajude a continuar contando histórias!

Compartilhe esta história

0 comentários

Outras histórias