Vale a pena ler de novo: Paula resolveu mudar e criou ONG com mais de 100 voluntários

Quando Paula Domenichelli resolveu mudar, não tinha ideia de quão longe iria chegar. Tomou o exemplo da mãe, que sempre estava a ajudar alguém, e começou aos pouquinhos, todo final de ano.

Adotava as cartinhas das crianças no Natal e presenteava com roupa e brinquedo. Foram quatro anos de Mamãe Noel, aumentando a cada dezembro o número de presenteados. Como não dava conta de tantos pedidos, arrumava pessoas também dispostas a ajudar.

– Chegou uma época em que as famílias vinham trazer cartinhas aqui na porta de casa.

O próximo passo foi dado em uma conversa com primos e amigos. Paula disse que queria ajudar o ano todo, não só no Natal. O grupo de seis pessoas se comprometeu a participar e nascia ali a ONG Resolvi Mudar.

Em quatro anos, a iniciativa de seis pessoas se transformou em uma organização com 100 voluntários. A doação de final de ano hoje é apoio diário a moradores em situação de rua, famílias em situação de vulnerabilidade, comunidades sem qualquer estrutura.

Uma vez ao mês, os integrantes da ONG distribuem 600 marmitas nas ruas de Ribeirão Preto e refeições a um asilo, entregam em média 50 cestas básicas mensais, organizam um bazar que oferece de roupa a cabeleireiro ao morador em situação de rua, nas datas festivas fazem ações e, sempre que há um desastre, pensam uma forma de ajudar.

Para as vítimas do desastre de Mariana (Minas Gerais), enviaram 42 mil litros de água. Nesse janeiro, prestaram auxílio aos moradores das favelas de Ribeirão que perderam quase tudo nas chuvas. Arrecadaram mantimentos, leite, roupas e tudo o mais que foi preciso.

Paula ainda conta – cheia de orgulho – que já conseguiram tirar gente das ruas, arrumando emprego, levando para clínica de reabilitação, acolhendo quem precisa.

E planejam mais para o futuro.

Buscam parceria para a criação de uma lavandeira e banheiro a quem vive na rua, pensam em cursos de profissionalização e outras formas de reinserção dessas pessoas na vida social, para que o trabalho da ONG seja mais que assistencialismo.

Paula não quer limites.

– A caridade traz uma sensação de felicidade, como um êxtase. Você não consegue mais olhar uma situação e pensar ‘isso não é da minha conta’. Você passa a reavaliar a vida por inteiro.


 

Paula tem 41 anos, é mãe de três filhos, dois cachorros e trabalha na área comercial em dois empregos. Para dar conta de tudo e fazer a ONG funcionar, transforma um dia em dois. E sem reclamar.

– Não cansa e nem dá vontade de parar.

Confessa que dia ou outro vem um desânimo. Ela teve que aprender a ignorar os olhares tortos que recebe na rua. “Tá ajudando vagabundo”, é o que mais ouve.

– As pessoas só criticam o que não conhecem a fundo. A gente tem que mostrar que é diferente. Convidar a participar.

Entre todos os trabalhos que a ONG desenvolve, as ações com moradores em situação de rua ocupam a maior parte do seu coração.

– Eles não são vistos, ninguém se preocupa em saber porque estão ali. São estorvo para as pessoas.

Nem mesmo quando um dos que ela havia ajudado tentou roubar seu carro, Paula deixou de acreditar. O moço, usuário de drogas, não sabia que o veículo era dela. Os vizinhos gritaram e, quando ele a viu, sequer conseguiu correr. Sentou no chão e repetia sem parar: “Eu não acredito que é você”.

– Aquilo, com certeza, chocou mais ele do que eu.

É assim que Paula sente o outro. E é isso que leva para a ONG.

A filha mais nova, 9 anos, é companheira fiel. Participa das reuniões, das ações, está sempre junto. Os filhos mais velhos enchem a mãe de orgulho em defesa do que é humano. E Paula, assim, torce pela continuidade do trabalho que começou pequeno e hoje é tão grande.

– Não pode acabar nunca. Só tem que crescer. Nossa maior paixão é mudar a vida das pessoas que precisam. Restabelecer a dignidade que um dia perderam.

Vai multiplicando humanidade.

 

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