Chris Ramos quer trocar o palco do karaokê por carreira profissional

Vale a pena ler de novo! História publicada pela primeira vez em 3 de julho de 2017!

 

– Olha, Deus queria mesmo que eu nascesse.

Parece frase de começo, mas Chris deixa sua chegada predestinada para o final da história.

Depois de tudo, ela conta que a mãe passou dois dias com a bolsa estourada sem perceber que a filha queria nascer e que, a caminho do hospital, caiu e bateu com a barriga no assoalho do carro.

E nada disso a impediu de vir ao mundo, cheia de saúde.

– Era mesmo para eu nascer!

Chris Ramos finaliza com o nascimento predestinado para que fique bem claro: já que veio ao mundo a todo custo, é para realizar todos os sonhos que puder.

E são muitos, empacotados pela mesma embalagem: a música.

– O grande sonho é ser cantora profissional. E eu acredito que um dia vou alcançar.

Chris Ramos kantarokê, Jardim Paulista, Ribeirão Preto

A entrevista acontece em uma das mesas do karaokê, no Jardim Paulista.

Não são muitas mesas. O espaço comporta no máximo 35 pessoas, com a finalidade de que, assim, todos os presentes consigam cantar várias vezes durante uma noite.

E não é esse o objetivo de um bar karaokê?

Ali é o cantinho da Chris. Seu primeiro sonho realizado.

Quando abriu as portas, em 2010, convidava as pessoas a conhecerem na calçada, uma a uma.

Para manter as portas abertas, em tempo de crise ela trabalhou em posto de gasolina, Poupatempo, dormindo menos de duas horas por noite.

– Eu sempre disse que teria o meu bar karaokê. Quando decidi abrir, não tive medo. É melhor se arrepender do que fez, do que pensar se daria certo.

Deu certo. Com seu bar karaokê, um dos únicos de Ribeirão Preto, Chris construiu seu próprio palco.

Não passa uma só noite de portas abertas sem cantar. Se tem bar, tem cantoria da Chris.

Entre uma mesa servida e outra, ela pega o microfone e solta o vozeirão.

Cuida sozinha de todas as funções do bar. Tem um único funcionário na portaria e, do mais, prefere fazer por si.

– Já tive funcionários, mas eu sou muito agitada e não dava certo.

Serve as mesas, faz as porções, programa as músicas, canta com o cliente inibido para tirar a timidez, organiza a surpresa para o aniversariante.

Até pedido de casamento já presenciou, entre as luzes coloridas do pequeno palco e os chapéus e perucas nada discretos que disponibiliza para os cantores quebrarem a seriedade.

Seriedade que, dependendo da música, é retomada.

Teve concurso de vozes no karaokê, com jurados e tudo. E Chris conta, toda orgulhosa, que a moça que ganhou decidiu seguir pelo caminho da música e hoje é cantora de uma banda.

Até gente famosa já soltou a voz por ali. Tem fotos com o deputado Jean Willis e com o ator global Júlio Hernandez e diz que os dois cantaram bem no palco iluminado.

– Ter um bar karaokê foi meu primeiro sonho. Eu me imaginava dona de um. Quando eu ia cantar em karaokê, eu pensava: já pensou ter um som desses? Cantando em casa não tinha o glamour, a emoção forte do karaokê.

Foi cantando na sala de casa, no entanto, que ela descobriu que queria um microfone e um palco para todos os dias da vida.

Chris Ramos kantarokê, Jardim Paulista, Ribeirão Preto

Chris diz que, com cinco, seis anos, ganhou do pai uma pequena vitrola de cor verde. E passou a carregar o tocador pela casa, ouvindo e cantando Bee Gees, Beatles, Roberto Carlos.

Pegou os gostos do pai, que tocava saxofone em uma banda quando jovem. Chris o ouvia contar que vendeu o instrumento para pagar o casamento e, desde então, nunca mais voltou a tocar.

A menina bem que tentou aprender a tocar violão e teclado, mas começou a trabalhar em banco aos 14 anos, em São Paulo, onde a família morava, e não conseguia tempo entre a escola e o trabalho.

Com 15 anos, então, ganhou o melhor presente da vida. O primeiro videokê, com 200 músicas.

– Eu cantei todas. Passei aquela noite acordada, cantando baixinho na sala. Mas não parei até cantar cada música.

O aparelho de videokê que ganhou aos 15 anos é o mesmo que usa hoje, no seu bar karaokê.

– Eu tenho 44 anos! E esse aparelho nunca me deu problema. Acha que é bom?

Chris mudou para Ribeirão Preto por questões de trabalho do ex-marido. Quando veio, já havia terminado a faculdade de Letras, mas não encontrou emprego na área.

Foi então que surgiu a ideia de abrir o bar.

A casa onde o bar funciona era escola de inglês. Foi preciso, então, reformar cada pedacinho, com engenharia acústica.

Os cantores podem soltar a voz que nada se escuta na vizinhança!

Chris Ramos kantarokê, Jardim Paulista, Ribeirão Preto

Chris participou de bandas, deu canja com amigos em bares, fez alguns aniversários e até mandou vídeo para o The Voice.

Chegou a gravar um CD dois anos atrás. Fez só 10 cópias e vendeu as 10 cantando em um aniversário.

Diz que, entre um cliente e outro que lhe ouvia cantar no bar karaokê, surgiram um tantão de promessas. Uns diziam que iriam lhe ajudar a gravar um CD, outros que iriam lhe dar um empurrão no mundo da fama.

Foi só há alguns meses, porém, que de fato a coisa saiu da promessa. Um cliente se encantou pela voz de Chris e decidiu investir na carreira dela.

Estão gravando um CD autoral, que deve sair do estúdio em alguns meses. E a ideia é a carreira profissional.

Chris, que até então nunca havia feito uma música própria, passou a compor.

– Eu acordo cantando, durmo cantado, é só música. Uma das músicas eu estava dormindo e acordei com a ideia da letra. A música me preenche.

Ela não tem dúvidas de que vai dar certo.

Já se prepara para viver um novo sonho, uma nova fase, com um novo palco.

– Eu acredito que vou conseguir, sim.

É nessa hora que ela conta a história do seu nascimento que “era para ser”.

Já que veio ao mundo a todo custo, é para realizar todos os sonhos que puder. A música continua a embalagem.

 

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