Leitura de Adrielle nasceu junto com a Feira do Livro

Vale a pena ler de novo! História publicada pela primeira vez em 9 de junho de 2017. 

 

Um livrinho de capa azul, que contava a história de um coelho e tinha espaços para colorir.

Adrielle voltou para casa encantada. E o encantamento nunca acabou.

Já se passaram 17 anos desde que ela ganhou seu primeiro livro, na primeira edição da Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto.

Naquele dia, com um livrinho de colorir que foi presente do pai, ela se tornou leitora. E, descobrindo um universo feito de letras, nunca mais deixou de ir à feira.

Tinha quatro anos.

Hoje, aos 21, lê em média dois livros por semana.

A feira comemora sua 17ª edição. Adrielle Barbosa Santiago comemora 17 anos de viagens para dentro de si e para fora do mundo.

– Quando estou lendo, eu viajo. O livro me transporta. É como se estivesse vendo o que o personagem vê.

Adrielle Santiago Feira do Livro Ribeirão Preto

Imaginando o mundo que habita o livro, ela não gosta de interrupções.

Diz que raramente vê filmes baseados em obras que já leu. Não quer a imaginação de terceiros desfazendo o que já criou.

– Quando a gente lê um livro, a gente imagina o que está ali, cria os personagens. Daí, o filme mostra tudo de um jeito diferente. A imaginação é bem melhor!

A lista de livros é ampla. Romances, biografias, histórias reais, literatura.

Qual é o estilo que gosta mais? Ela nem tenta responder! Diz logo que é impossível escolher uma só entre as tantas formas de se contar uma história.

O primeiro livro que marcou a vida foi “O Diário de Anne Frank”. Mas a lista de obras preferidas é tão vasta quanto a de estilos.

Adrielle não gosta de pegar livros empresados.

Pelo bem do emprestador, explica.

– É que se eu gosto do livro, tenho dificuldades para devolver.

Tem mais de 100 exemplares em casa, organizados com rigor.

Anota a data em que ganhou o livro, em que situação a obra chegou às suas mãos e não para por aí. Depois de lido, embala o livro em plásticos e guarda em caixas.

Tudo pensando no futuro.

O sonho é ter uma biblioteca em casa.

O modelo vem do avô, que morreu quando Adrielle era menina, mas deixou legado.

– A lembrança que eu tenho é do quarto dele. Era lotado de livros do chão até o teto. O único espaço sem livros era o da janela.

O amor que criou raízes naquela primeira feira teve aviso prévio.

Adrielle Santiago Feira do Livro Ribeirão Preto

Adrielle estudou até o Ensino Médio em escola pública.

Conta que nas bibliotecas escolhia os companheiros do dia-a-dia: incentivo.

Na sala de aula, porém, muitas vezes, foi desencorajada: retrocesso.

– O professor dizia que o que eu estava lendo era besteira.

Formada em Biologia, ela atuou um ano como professora. E pôde, então, escrever uma história diferente.

– Se o aluno está lendo, ótimo. Não importa se é um gibi, uma revista, um livro de literatura. Falta incentivo à leitura.

E por que incentivar a ler? Ela tem uma lista enorme de motivos.

– Trabalha a criatividade, a imaginação, o vocabulário, a escrita…

Depois de 17 edições da Feira do Livro, tem mais que licença para opinar.

Reclama a volta do “vale livrinho”, que destinava verba para que os alunos da rede pública comprassem livros.

Percebe cada mudança, cada estande de livros que deixou de participar e se preocupa com a redução do número de expositores – visível de dois anos para cá.

É tudo amor. Quer que a feira continue criando leitores, com livros de coelho ou seja lá do que for.

– A feira não pode acabar. Tem uma importância muito grande para crianças e adultos.

Ao pai, que levou Adrielle à primeira feira e lhe comprou o primeiro livro, ficou a alegria do dever cumprido.

E a incumbência do dividir.

Ela já fez o pedido. Quer que os livros dele integrem sua biblioteca do futuro.

O sim veio, mas com ressalvas.

– Ele disse que tudo bem. Mas só quando a biblioteca estiver pronta. Por enquanto, os livros ficam por lá.

Era um livrinho de capa azul, que contava a história de um coelho, que veio pelas mãos do pai, com o incentivo do avô.

Leitura é amor que contagia.

 

Crédito da foto 1: André Santiago

 

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