Para espalhar o bem, Cida já deu vida a mais de 500 fantoches

Cabelos brancos, óculos prateados nos olhos redondos, vestido florido: ganha vida a vovó Ana e não está sozinha. Chega sempre acompanhada do seu cãozinho Pit Blue, que matou um ladrão – mas de tanto rir!

Tranças loiras, vestido de bolinha com lenço de escoteira, sardinhas nas bochechas: essa é a Bianca. E tem como amigo o Pedrinho, que vez em quando fica com o coração sujo de tanto fazer traquinagens.

A turma de fantoches passeia por Ribeirão Preto, região e até cidades mais distantes, levando alegria para a criançada de creches, abrigos, hospitais e igrejas.

Cida não tem mais ideia de quantos fantoches ganharam vida pelas suas mãos. Em uma conta aproximada, estima que foram mais de 500. Só em casa, guarda mais de 40.

Também já perdeu as contas de quantas apresentações voluntárias fez com seus bonecos.  São 21 anos de trabalho, afinal.

– Até 2005, eu ainda contava. Já eram mais de 15 mil crianças. Eu faço por amor. O voluntário é o primeiro que recebe.

Cida faz fantoches do bem - História do Dia

O primeiro boneco deixou a imaginação de Aparecida Belagamba da Silva em 1996.

O Juvenal, agora, vive na África, divertindo e ensinando outras crianças pelas mãos de um amigo de Cida que esteve em Ribeirão Preto e se encantou pelo fantoche.

Ela começou a fazer fantoches justamente com esse propósito. Levar alegria e bons exemplos para a criançada. E encantar!

Uma amiga da igreja que frequenta queria levar um show de fantoches no Dia das Crianças daquele 1996. Buscou uma companhia de teatro para contratar, mas os artistas só tinham data disponível para março do próximo ano.

– Ela ficou chateada. E eu pensei: ‘Será que é difícil de fazer?’.

Buscou inspiração na loja de uma outra amiga, que vendia fantoches. Diz que aprendeu só de bater o olho.

– Nunca trabalhei e nem fiz cursos. Só fazia costuras em casa.

Leva três horas para transformar espuma e tecido em fantoche. Os detalhes é que criam o personagem.

– O modelo é o mesmo. O que faz o rostinho é o lugar onde coloca o nariz, os olhos, a boca. O estilo da roupinha…

Não basta, porém, confeccionar o boneco. É preciso atuar e, então, dar vida ao personagem.

Nunca fez cursos de teatro, mas aprendeu a entonar e mudar a voz conforme o boneco. E explica o seu porquê.

 – Eu acho que vem tudo de amor.

Cida faz fantoches do bem - História do Dia

Cida nasceu em Ribeirão, filha de pai caminhoneiro e mãe dona de casa.

Para dar conta dos seis filhos, a mãe tinha que se desdobrar quando o pai passava dias fora em viagens.

– Nós passamos muita fome…

Ela só conseguir estudar até a oitava série, porque o trabalho era mais urgente. Casou aos 19, teve três filhos, é a coruja dos quatro netos.

Da vida, cultiva uma certeza:

– A gente tem que ser um pelo outro. O importante da vida é o ´dar’. Você recebe de volta. Às vezes é só um olhar, mas muda o dia da pessoa.

Não pensa, assim, em parar o trabalho voluntário que tanto bem lhe trouxe.

Conta que, durante seis anos, levava os fantoches para o Hospital das Clínicas de Ribeirão. Agora, depois de um período afastada dos corredores, já se organiza para voltar no ano que vem, com um grupo de bonecos feitos especialmente para crianças em tratamento.

Visitou igrejas de Ribeirão e de tantas outras cidades que perdeu as contas: Sertãozinho, Pontal, Morro Agudo, Jardinópolis, São José do Rio Preto e por aí vai.

É evangélica, mas diz que já se apresentou em igrejas católicas.

 – A palavra de Deus a gente tem que levar aonde chamam.

Doou muitos dos bonecos que fez e vendeu outros, na loja de uma amiga, com renda revertida para a igreja.

Os fantoches de Cida

A maioria das suas histórias tem mensagens religiosas. Alguns roteiros é ela mesma quem faz. Outros, ela tira de livros.

Conta da apresentação que fez em uma escola a pedido da direção.

Os alunos estavam com problemas de comportamento e jogavam os sapatos uns dos outros em cima do telhado de uma casa vizinha.

Cida montou um diálogo onde o fantoche perdia o sapato que o pai custou tanto a comprar.

– Nunca mais as crianças fizeram isso de novo!

Não só as crianças tiram algo de bom dos fantoches, porém. Ela fala dos pais e mães que sempre caem na risada com a vovó Ana e a turma toda.

– Às vezes a pessoa está com a mente falida e a gente precisa mostrar para ela que tem sempre saída.

Vovó Ana se despede com uma música religiosa. E a gargalhada vem quando Pit Blue canta, com seu latido manhoso e nem um pouco bravo, apesar de a vovó garantir a braveza.

O dia, agora, está mais leve.

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Todos os 5 comentários
  • Marcos Melo
    Responder

    Adoreiii…. Quero conhece lá pessoalmente.

  • Angelica
    Responder

    Ela é uma bencao de pessoa em nossas vidas obrigada tia Cida. DEUS ABENCOE PODEROSAMENTE SUA VIDA .TE AMOOOO

  • Paula
    Responder

    Lindaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

    um verdadeiro trabalho de amor

  • Samanta aveiros
    Responder

    Linda… quem a conhece sabe o grande Amor que está mulher tem por Deus e ao seu próximo.

  • Aparecida Belagamba
    Responder

    Obrigada Daniela pelo seu trabalho que também é lindo. e humano….Deus a abençoe sempre e continue dando esta rica oportunidade ao próximo. …amei participar

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