Regis é o músico jornalista da banda Motormama

Vale a pena ler de novo! História publicada pela primeira vez em 29 de maio de 2017. 

 

O primeiro violão foi comprado com a venda do vídeo game. Aos 15 anos, Regis definia a prioridade que embalou a vida. A música, desde aquele dia, não parou mais de tocar.

Mas tocou em parceria com bloquinhos, canetas, computadores, em redação.

Regis Martins, vocalista e guitarrista da banda Motormama, dividiu a rotina entre o Jornalismo e a música, fazendo o tempo multiplicar no compasso de um rock´n roll psicodélico.

Hoje, quando ele relembra a rotina de shows intercalada com a loucura do jornalismo diário a gente chega a desacreditar.

Não tivesse eu dividido três anos de redação com ele, pensaria que tudo não passou de uma melodia pesada.

Dessa parceria, entretanto, ele tirou as melhores notas.

– O Jornalismo me ajudou a vencer a timidez, a administrar a banda, a acreditar no que eu estava fazendo.

Agora, encerrada a temporada de 10 anos de jornal impresso diário, ele decidiu, pela primeira vez, inverter a rota.

– Antes, eu era o jornalista músico. Agora, eu sou o músico jornalista.

Enquanto Regis era o “jornalista músico”, a banda Motormama gravou quatro discos, um vinil, participou de festivais internacionais, perdeu as contas dos shows feitos Brasil afora, foi reconhecida pela mídia nacional.

Como compositor da banda, ele escreveu em torno de 50 letras, 42 já gravadas em discos.

Dá para imaginar o que vem agora?

Regis banda Motormama

Regis conta que nasceu em São Paulo, com frio de bater os dentes. Com 15 anos, veio a contragosto morar em Ribeirão Preto, pelo trabalho do pai.

– No começo, eu detestava. Mas aqui eu cultivei mais amizades.

Quando era moleque, apaixonado por leitura, dizia que seria poeta. Chegou a escrever poesias e tudo. Mas quando veio a música, foi paixão avassaladora.

Arranhava o piano da irmã, que pouco o tocava, e convenceu os pais a fazer aula de violão, com o instrumento comprado pela venda do vídeo game.

Fez um único mês de aula, entediado pela teoria. Aprendeu tudo o que toca sozinho. E decidiu ali que seria músico.

Decidiu, mas não conseguiu convencer os pais.

– Meu pai achava que era coisa de adolescente.

Decidiram que a faculdade viria primeiro e a música depois. E surgiu o Jornalismo. A ideia, no entanto, era juntar jornal e música.

– Eu pensava: vou ter um diploma e vou para São Paulo fazer música e trabalhar no Caderno Ilustrada, Notícias Populares. Tudo sempre ligado à cultural.

Em 1991, perto de terminar a faculdade, veio um desvio de rota.

O melhor desvio de rota da vida, é bom frisar.

– Eu virei pai.

Arranjar um emprego, então, passou a ser prioridade. E foi quando o Jornalismo passou a vir primeiro que a música.

Começou a trabalhar no jornal da faculdade e, aos 21 anos, recém-formado, Regis – o músico – foi contratado para cobrir política na Folha de São Paulo, sucursal de Ribeirão Preto, em meio à campanha para a prefeitura.

– Foi quando tive minha primeira gastrite!

Regis Martins vocalista da banda Motormama

No mesmo ano em que soube que seria pai e começou a trabalhar em Jornalismo, Regis montou sua primeira banda.

A Motormama nasceu oficialmente em 1999. Nove anos antes, porém, é que vieram os acordes que dariam a formação final.

A banda “Os egoístas” surgiu em 1990, virou MotorCycle Mama e já começou a rodar o país fazendo shows.

– Nós lançamos um demo, que foi parar na gravadora Rocket, no Rio de Janeiro. Fizemos show até na Fundição Progresso. Na minha cabeça eu ia virar rock star.

Mas, quando a banda começava a decolar, o baterista avisou que iria sair. E foi preciso reformular.

A Motormama nasceu como rescaldo da Motorcycle, mas em outro ritmo.

– É outra banda. O projeto que eu considero mais sério na vida. Quando eu realmente aprendi a tocar e tudo ficou mais profissional.

Na nova formação, veio a Gisele como vocalista e parceira da vida de Regis.

Os dois se conheceram em um show de rock, no mesmo 99 em que a Motormama nasceu.

– A música nos uniu.

Seguiram juntos pelas estradas, como companheiros de música e de romance.

O rock´n roll – com toques de psicodelia, pop e indie – continuou a trilha sonora.

Regis Martins vocalista da banda Motormama

Os marcos da história do jornalista Regis coincidem com os marcos da história de músico.

No mesmo ano em que a Motormama nasceu, ele foi chamado para trabalhar em TV.

No mesmo 2006 em que lançaram o segundo disco da banda, ele passou a trabalhar em jornal impresso.

No mesmo 2010 em que foi convidado para ir a Toronto como jornalista, a banda lançou seu terceiro disco – que é o preferido do vocalista.

– Eu conciliava a agenda de shows com o trabalho. Show fora de Ribeirão a gente tinha que marcar de acordo com os meus plantões no jornal. Por isso, a gente nunca fazia turnês. Ia e voltava para trabalhar na segunda-feira.

Ainda assim, Regis conseguiu levar a Motormama para festival no Canadá , na Espanha e Brasil afora.

O primeiro disco, Carne de Pescoço, de 2003, saiu na revista Playboy.

Também nesse ano, a banda participou do quadro “Bandas de Garagem”, do Jornal Hoje e, dias depois, foi convidada a tocar no Sesc Pompeia que, Regis diz, era um dos palcos mais concorridos.

O segundo álbum, Legítima Cia Fantasma, de 2006, saiu na edição número 1 da recém lançada Rolling Stone brasileira, em 2008.

A cada disco lançado, a cada festival e publicação na imprensa, a agenda de shows explodia.

E, mesmo com outros três bateristas abandonando as estradas, o rock´n roll da Motormama continuou.

Regis Martins vocalista da banda Motormama

No começo desse ano, a banda lançou o quarto álbum, “Fogos de artifício”.

Regis já estava com a rota invertida, como músico em primeiro lugar.

Agora, é assim que ele quer levar. A agenda já está cheia de shows para os próximos meses e o músico está cheio de projetos.

– Não tem explicação. Quando eu tô no palco, eu tô em transe. É uma felicidade oceânica.

Aos 47 anos, ele quer, pela primeira vez, fazer da banda uma empresa de fato. E viver do que ama.

– A arte é o espelho da vida. Sempre tive cabeça de artista. Você nasce assim. É uma maldição também! Mas é bom gostar de alguma coisa.

A música?

– A vida precisa de sentidos. Acho que o sentido é a música. É o que faz a gente seguir em frente.

A Motormama tem 18 anos de estrada. Regis tem 32 anos de música, desde aquele primeiro violão comprado com a vaquinha do vídeo game.

– Se depender de mim, espero que ainda vá longe.

Agora, ele é o músico jornalista. Dá para imaginar o que vem?

 

Quer ouvir Motormama? Tem canal no Youtube com clipes, CDs, trechinhos dos shows: https://www.youtube.com/channel/UC7veXfI6FPaaJTRDDW_FA1g

 

Crédito das fotos:

Foto 1 da banda Motormama: Leandro Paiz

Foto 2 da banda Motormama: F. L. Piton

 

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