Todos os brigadeiros por Henri

Henri já sabe fazer traquinagens mostrando a língua e soltando barulhos. Come papinhas e faz pose para as fotos, tombando a cabeça para o lado.

Em maio, comemorou um aninho com festa!

No último dia 16, mais uma comemoração. Nas duas, teve brigadeiro de montão.

Com o “Brigadeiro do Bem”, a mamãe Carolina e o papai Jadala trocaram o medo com a descoberta da síndrome do Down no nascimento do filho pela vontade de dar a ele o que há de melhor.

Quando começaram a vender as caixinhas com brigadeiros em setembro do ano passado – sem nunca terem trabalhado com isso – não sabiam onde iam chegar.

Hoje, estruturam o futuro. Abriram um buffet com os contatos que fizeram vendendo os doces. E comemoram, a cada dia, as conquistas de Henri.

Todo o dinheiro que ganham com os brigadeiros vai para os cuidados com o pequeno, que faz sessões com fonoaudióloga, fisioterapia, além do tratamento com medicamentos e da compra de um leite especial. Até consulta com médico em São Paulo os pais conseguiram.

 – A gente não faria metade das coisas que faz para ele sem os brigadeiros.  É decisivo para que ele tenha qualidade de vida.

O “Brigadeiro do bem” foi um empreendimento feito com amor de pai e mãe. Tinha como dar errado?

Brigadeiro do bem - História do Dia

Henri é o primeiro filho de Carolina Heras, 21 anos, e Jadala Aissame Vicente, 29. O pequeno veio de surpresa, dando um susto no namoro e unindo as escovas de dentes do casal.

Souberam da síndrome de Down quando o bebê já estava fora da barriga, na maternidade.

– No nascimento, a gente passa por um período de luto. Os hospitais são totalmente despreparados e a sensação que eles nos passam é de que estamos vivendo um funeral.

É Carol quem diz.

O “luto” durou pouco. Bem pouco.

Henri nasceu com uma cardiopatia grave e a preocupação dos pais era em ver o filho bem.

– O que me importava mesmo era saber se ele teria uma vida normal, se iria poder brincar.

A primeira alta veio depois de quase um mês. Mas em casa, Henri ficou bem pouco.

Por conta da cardiopatia, ele estava aspirando o leite. Foram duas cirurgias e mais três meses de hospital.

A condição para a alta era que uma fonoaudióloga ensinasse o bebê a mamar, para que não houvesse mais riscos de aspiração.

O pedido foi feito ao plano de saúde que os pais pagavam e, depois de 15 dias, não tiveram qualquer resposta.

– De onde nós vamos tirar dinheiro?

Era a pergunta que o casal se fazia.

Jadala trabalha em shopping e Carol fazia bicos como vendedora. A renda dava para as despesas necessárias, mas não para o adicional. Cada sessão com a fono iria custar R$ 100. O bebê precisou de oito.

– Nós pensamos em vender as coisas da casa… Naquela noite eu fui dormir pedindo para Deus uma alternativa.

No outro dia, acordou com a ideia pronta.

– Vou fazer brigadeiros. É o que eu faço bem!

A ideia inicial era vender 20 caixinhas a R$ 10, para conseguir parte do dinheiro da fonoaudióloga. Carol decidiu colocar uma publicação na internet, para impulsionar as vendas. E o post viralizou.

Em 24 horas, venderam 80 caixas de brigadeiro. Em 10 dias, conseguiram levar Henri para casa.

Hoje, vendem, em média, 1,5 mil brigadeiros pequenos ao mês, além de 40 caixinhas de doces maiores ao dia.

Carol, nesse período, arrumou um emprego em uma escola de inglês e triplicava os turnos para dar conta de tudo. Agora, empreendendo com um buffet próprio, deixou o emprego e comemora.

– Trabalhando de casa, eu posso ficar mais tempo com o Henri!

Brigadeiro do bem - História do Dia

O plano do casal é o mesmo, desde que começaram a vender as caixinhas para pagar as melhores terapias para Henri.

– A gente quer que ele tenha independência. Que consiga fazer as coisas sozinho e ser o que quiser, sem barreiras.

É Carol quem diz. Todos os dias, ela aprende algo com seu pequenino.

– Eles nos passam lições. Eu acho que, a cada dia, as pessoas estão sabendo lidar melhor com as diferenças.

Henri ainda vai precisar passar por uma cirurgia no coração para corrigir, de vez, a cardiopatia. Os pais esperam os primeiros passos, as primeiras palavras, mas aprenderam um novo tempo.

– É sem pressa, no tempo dele.

Às vezes, Carol se surpreende com a própria história.

– Eu não sei de onde a gente tirou essa força. De verdade…

E segue, escrevendo o melhor enredo para a vida de Henri.

Lá atrás, ela decidiu que iria fazer quantos brigadeiros fosse preciso.

Um ano depois, só aprimorou a receita – e a força de vontade.

 

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Comentários
  • Irene
    Responder

    Que exemplo de vida!
    Incrível!
    Parabéns linda família!
    Parabéns Dani.

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