Saudade da mãe levou escritora Solange à leitura

Vale a pena ler de novo! História publicada pela primeira vez em 7 de junho de 2017!

 

A palavra chegou para Solange como sintoma de saudade.

Nos livros, ela encontrava um pedacinho da mãe que passava semanas fora de casa trabalhando como professora.

Quando voltava de São Paulo para Orlândia, cidade onde a família vivia, a mãe sempre surpreendia. Solange esperava bonecas de presente, mas a professora que ensinava crianças a ler e escrever lhe trazia discos de boa música e livros.

Devorando as palavras impressas nas páginas, Solange via passar mais rápido os dias longe da mãe. E se encantava pelo mundo das letras.

As idas à biblioteca da cidade eram quase diárias. Trocava saudade por literatura.

E não demorou a transformar, ela mesma, seu mundo em palavras. Aos 12 anos, escreveu sua primeira poesia, premiada em concurso três anos depois.

Não havia como saber! Mas a Solange menina descobria ali amor para a vida toda.

Estudou dança, deu aulas de ballet, se formou pedagoga, psicopedagoga, trabalhou como voluntária em projeto voltado às crianças, mas garante: nunca deixou as palavras, escrevendo antologias, poemas, três livros.

– Escrever é algo que me preenche bastante. Quando eu refaço minha história, eu vejo que isso não mudou. Passei por várias fases na vida, mas a escrita é algo que permanece.

Hoje, Solange Silveira Garcia lança a edição comercial do seu terceiro livro na 17ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto, cidade onde fez morada há sete anos.

‘Sofi, a pipa bailarina’, leva poesia para o céu da criançada, alertando, com rimas e leveza, sobre o perigo da brincadeira.

 “Tudo depende do seu dono,

não importa qual seja a idade

para empinar uma pipa

é preciso ter responsabilidade”

 

O livro da Sofi surgiu com um convite.

A empresa EDP, de energia elétrica, teve a ideia de lançar um livro como alerta às crianças sobre os perigos da pipa na fiação.

Solange acabara de republicar o livro “O direito de nossas crianças”, lançado pela primeira vez em 2004,  contemplado pelo selo PNLD (Plano Nacional do Livro Didático) e reeditado em 2014.

Surgiu, então, a proposta para que ela escrevesse sobre as pipas e mais: coordenasse o projeto Brincando com Pipas.

– Pipa? É minha infância!

Solange Garcia feira do livro ribeirão preto

Se lembrou, então, do seu pai. Aos finais de semana, passava horas confeccionando com os filhos pipas coloridas que cortavam os ares.

– Quando a pipa estava bem distante, recortávamos um papel, colocávamos sobre a linha e observávamos o vento levar o recadinho até o céu, esperando o momento de recolher a pipa respingada pelas nuvens…

Juntou poesia, memória e a sempre presente saudade e escreveu Sofi.

Tanto a pipa quanto o menino que dão vida ao livro de Solange têm os nomes dos filhos da autora.

As palavras – e memórias – estão em família.

O livro da pipa bailarina foi lançado em 2015, com apoio do Ministério da Cultura, e passou pelas mãos de crianças de 14 escolas do Espírito Santo e São Paulo, com a distribuição de 15 mil exemplares.

A obra também foi apresentada na maior feira de livros do mundo, em Frankfurt, Alemanha.

Agora, chega as prateleiras das livrarias. O maior voo da Sofi está na conscientização.

– Eu fui em todas as escolas que trabalharam com o livro e pude ver o resultado do trabalho. A empresa de energia esperava redução de 27% nos acidentes com pipa e o resultado foi maior.

Sofi só voa em segurança.

 

“Saiba filho, soltar sua pipa

sempre com zelo e sabedoria.

Que a Sofi seja a lembrança,

do sonho realizado com alegria!”

 

Solange livro Sofi a pipa bailarina

Para Solange, escrever poesias é como pintar. As palavras são as tintas, que se espalham na superfície branca dando forma ao mundo.

– Sabe quando a pessoa senta para fazer um quadro? É quase terapêutico.

Diz que já escreveu poesia para tudo quanto é causo: aniversário, festa e até túmulo de cemitério.

– A escrita surgiu de um jeito muito natural para mim. Acho que é porque eu sempre li muito!

Juntar palavras com crianças é o caminho de um universo próprio.

– A criança tem um mundo poético, de sensibilidade, pureza. Ela está sempre buscando algo, alçando voos. E ajudar a alçar esses voos é muito gratificante!

Solange, 43 anos, vai alçando seus voos.

Já tem um novo livro deixando a gaveta. Xadrez para as crianças é o tema da nova obra, que deve ser lançada em breve.

A palavra que surgiu como sintoma de saudade fez morada.

No livro da Sofi, as crianças é quem imaginam o final do poema.

 

“E na sua imaginação, como

essa história terminaria?”

A imaginação é como pipa!

 

Leia aqui o livro “Sofi, a pipa bailarina” em versão digital!

 

 

Crédito das fotos: divulgação da Solange e Secretaria de Educação de Suzano

 

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