Por Heitor, Cris tomou 234 injeções e registrou ‘picadinhas do amor’ em book

No colo da mãe, Heitor dorme tranquilo. Não quer carrinho, não quer distância.

Foi esperado antes mesmo de ser um positivo no exame de gravidez. É o bebê “arco íris”, que veio colorir o luto, acalentar o coração da mamãe Cristina Pereira Lima de Godoy.

Pelo filho, ela ignorou o medo, as críticas e a dor.

Todos os dias, desde o primeiro mês de gestação, recebe a picada de uma injeção.

Foram 234 doses durante a gestação e vão ser mais 40, até que o bebê complete 40 dias.

– A gente chama de “picadinhas do amor”, porque era a nossa esperança de que tudo ficasse bem.

Antes da gravidez do Heitor, Cristina e o marido esperaram João Pedro.

Foram nove meses de gestação saudável.

No dia 3 de janeiro de 2016, entrou em trabalho de parto, foi para o hospital e, quando pensava deixar a maternidade com o maior presente nos braços, partiu acompanhada da dor maior.

Ao avaliar a mãe para o parto, os médicos constataram que os batimentos de João Pedro tinham parado.

O único diagnóstico possível encontrado foi de trombofilia, que aumenta a coagulação do sangue e os riscos de trombose.

Se Cris quisesse engravidar de novo, teria que tomar as injeções anticoagulantes assim que confirmasse a gravidez, para garantir que o bebê nascesse saudável.

Guarda todas as seringas, desde o primeiro mês de gestação.

Heitor chegou no último dia 10, com 2,995 quilos e 49 centímetros de amor.

Cris maternidade trombofilia

Com o barrigão que guardava o pequeno, Cris posou para as lentes da fotógrafa Lidiane Angelin com as embalagens formando coração, asas. No ensaio de nascimento, repetiu a ideia.

Quer guardar as “picadinhas do amor” em uma caixa. E, quando Heitor puder entender, contar para ele essa história de fé.

Cris maternidade trombofilia

No pulso direito, Cris tem a tatuagem de uma mãe entregando seu bebê aos céus em forma de anjo. No pulso esquerdo, escreveu a palavra ‘fé’.

Diz que, quando decidiu que iria tentar engravidar de novo, o medo veio.

Antes da gravidez de João Pedro ela havia tido outros dois abortos espontâneos, logo nas primeiras semanas de gestação.

   Chegou a ouvir de pessoas conhecidas que deveria desistir, deixar a ideia de ser mãe de lado.

– Mas eu sempre sonhei em ter um filho!

Se apegou, então, à essa fé que quis registrar na pele.

E teve o apoio e a força do marido para prosseguir. Juntos, o casal decidiu que seriam, sim, pais.

Cris acredita que João Pedro cumpriu sua missão nessa terra e, por isso, virou anjo. E acreditou, mais que tudo, que outro bebê viria alegrar sua vida.

– O João Pedro é o nosso anjo. Vou sempre ser a mãe dele.

 Durante a gestação, pegou emprestado um aparelho de ouvir os batimentos do bebê com uma amiga e confortava sempre que o coração ficava aflito.

Quando sentiu o rostinho do filho recém saído da barriga encostar no seu, entendeu que tudo valeu a pena.

– Eu pedi um novo sentido para a minha vida e Deus me deu o Heitor.

 Agora, faz planos para o futuro.

– Quem sabe Heitor decide ser médico e cuidar de mães com problemas na gravidez?

O maior plano, porém, está além da Ciência.

– Em primeiro lugar, quero que ele seja feliz. Uma pessoa do bem.

Abraça o pequeno no colo.

Cris não quer distância. Com Heitor nos braços, é só amor.


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Cris maternidade trombofilia

Fotos de Lidiane Angelin
Mostrando 9 comentários
  • Janaina Lippi nicodemos
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    Cris linda sua história sei o quanto sonhou e desejou esse bebê chorei muito enquanto lia sua história. Parabéns sempre irei lembrar de vc linda, guerreira e agora muito feliz com seu maior presente de Deus.

    • Lilian
      Responder

      Cris que Deus te abençoe e abençoe toda sua família!!!
      Que sua historia sirva de motivação para muitas futuras mamães !!!
      Vc é uma gerreira muito abençoada!!! Felicidades sempre
      beijosss

  • Eliana
    Responder

    O Amor pela maternidade, superou tudo, parabéns ao casal e ao bebê Heitor que já amamos desde que estava na barriga.Superação é tudo.bjs pra família.

  • Flávia Afonso
    Responder

    Amiga querida, amei a delicadeza de como a sua história foi retratada. Choramos, vibramos, torcemos juntas, mas nunca nunca a palavra “Desistir” fez parte do seu vocabulário. João Pedro é um anjo que cuida agora para a linda família que está aqui. Adoro vocês, em breve tô ai pra visitar o Heitor. Beijos

  • Gisele
    Responder

    Cris, que história lindaa.. vc é uma pessoa muito abençoada. Que Deus ilumine sempre sua vida..

  • Nayara
    Responder

    Meus olhos se enchem de lágrimas e o coração de alegria! Descobri hj a trombofilia…e também preCisarei de piadinhas de amor. Parabéns pela garra!

  • Tamires
    Responder

    Maravilhosa história. Uma verdadeira história de amor. O maior amor, o de mãe! Parabéns Cris. Vc é um lindo exemplo pra mim e pra muita gente! Heitor muita saúde e felicidade pra vc!

  • Leidiane Araújo
    Responder

    Pelo meu Davi, tomo picadinhas de amor desde as primeiras semanas de gestação. Assim que descobri com mais ou menos 4 semanas. Agora estamos pestes a nos encontrarmos. Na contagem regressiva, 37semanas. Ansiosa pra pegar meu príncipe no colo. Valeu e vale a pena cada injeção.

  • Mila Veronez
    Responder

    Cris, o que falar da historia de vcs ?! E tem gente q não acredita em Deus né. Guerreira é seu sobrenome. Sempre orei por vcs. Parabéns por tudo. Bjoo. Mila

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