Para se tornar enfermeira, Roberta enfrentou desafios com muita garra

 

 

Na formatura de Roberta teve muita choradeira boa. O diploma de enfermeira foi realização conquistada com trabalho persistente e amor à profissão.

Desistir não foi opção, mesmo quando ela não fazia ideia de como iria arcar com a mensalidade e tinha que dobrar turnos na madrugada para conseguir.

Na família – pai, mãe e três filhos – foi a única a conquistar o Ensino Superior. Trabalhar na saúde era vontade compartilhada com a mãe. Ela dizia que, se pudesse, seria auxiliar de enfermagem. Criar os filhos era mais urgente, porém. Trabalhou como caixa somando forças com o marido, pai de Roberta, que era motorista de ônibus.

– Eu sou apaixonada pelo que faço. Ver uma pessoa que estava quase morrendo se recuperar vale tudo na vida da gente.

A noite em que colou grau, Roberta diz, foi uma das mais bonitas de toda vida. E fez além. Ganhou um prêmio pelo melhor trabalho de conclusão de curso da turma e, antes mesmo da colação, já estava com emprego garantido na área. Não deu para conter o choro, que saiu fácil e cheio de alegria. Como quando ela relembra sua trajetória.

– Eu me emociono de falar… e sinto muita gratidão de chegar aonde cheguei. Cheguei aonde eu queria: isso não tem preço.

 

 

Esse amor pelo que faz é energia em dias como os atuais. Desde 2018, Roberta Mendonça, 34 anos, é coordenadora do Pronto Atendimento de Alta Performance do Centro Médico, localizado no Ribeirão Shopping. Atende pacientes com suspeita e confirmação da Covid-19.

Viu alguns deles serem internados em estado grave, com alto risco de morte. E comemorou as recuperações. Faz testes rápidos para confirmar o coronavírus todos os dias. As mãos estão ressecadas de tanto álcool gel. Mas a vontade de estar presente não diminui.

– Nessa profissão nós temos que encarar. Não podemos nos esconder. Somos nós que estamos ali, na linha de frente. Poder ajudar me dá forças.

Profissionais de saúde covid pandemia

Na casa simples, todo mundo tinha que desempenhar uma função. Roberta conta que, como os pais trabalhavam, ela e os irmãos cuidavam da limpeza, das roupas, tinham suas responsabilidades. Não faltava comida, mas os brinquedos eram poucos e divididos.

– Meus pais fizeram de tudo. A casa era simples, mas aconchegante. Isso fez a gente crescer!

Não conseguiu esperar a maioridade. Quando completou 16 anos, arrumou um emprego durante o dia, na recepção de uma loja, e estudava no período da noite. No ano seguinte, então, buscou o curso técnico de enfermagem, que poderia ser pago com seu trabalho.

Conta que, como não tinha 18 anos, sua mãe teve que assinar uma autorização para que ela fizesse a formação. Pouco depois, pediu demissão do emprego na loja – nessa altura, já havia sido promovida e trabalhava na parte administrativa.

– Meu chefe chorou quando eu saí, mas ficou feliz por eu estar buscando minha área.

Foi em busca de estágio e conseguiu no dia seguinte, em um hospital. Estagiava durante o dia e estudava noite. Quando o curso técnico acabou, veio a vontade da faculdade.

– Era fora do que eu ganhava… fui no emprego e pedi para trabalhar à noite. Com o adicional noturno, conseguiria pagar.

Depois de um mês trabalhando na madrugada, percebeu que não havia sido um bom caminho. O cansaço era muito e não conseguia se dedicar aos estudos.

Buscou ajuda e conseguiu abrir portas na faculdade Barão de Mauá. Poderia fazer o curso com um crédito, para pagar no final. Também teve orientação para obter o Fies, um financiamento estudantil, e pôde, então, estudar com tranquilidade.

Durante o curso, fez estágios, atuou na UTI neonatal infantil e adulto: se encantou!

– Minha mãe e meu pai choraram muito na formatura. Minha mãe fez questão de pagar a festa. Dizia que eu merecia.

Quando se formou, em 2010, passou a trabalhar na Gesti Soluções, atuando na UTI neonatal do Hospital São Paulo. Em 2016, foi promovida à coordenadora das UTIs adulto e infantil e em 2018 recebeu o convite para assumir a coordenação do Pronto Atendimento de Alta Performance do Centro Médico.

– Na minha profissão, a gente aprende a dar valor. Reclamamos de coisas mínimas perto do que as pessoas passam. Sou apaixonada pelo que eu faço!

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Desde que os casos de coronavírus começaram a chegar em Ribeirão Preto, a rotina de Roberta mudou. No trabalho, cuidado redobrado. Em casa, mais ainda. O maior medo é ser um risco para o marido e o filho.

– Não consigo ver uma situação pior do que essa na minha trajetória… parece que estamos vivendo em um mundo que não é o nosso. Um filme, um sonho.

No Pronto Atendimento, os protocolos são rígidos. Limpeza e cuidado são as palavras.

Ela faz um alerta. Recebe pacientes que não têm sintomas, mas estão com a doença. Outros que apresentam apenas dores de garganta e, rapidamente, têm um agravamento do quadro.

– Não podemos levar em consideração os sintomas. Não sabemos quem está ou não, em quem vai se manifestar de forma grave ou não.

Em casa, os cuidados continuam. Chega e, antes de qualquer coisa, toma um banho, em um banheiro que não é usado por mais ninguém. Só sai para o trabalho.

– A gente fica triste, mas não posso ser um risco para ninguém.

A força para seguir vem do amor à profissão somado ao carinho que recebe da família. Enquanto ajuda a salvar vidas, vai projetando o futuro melhor.

– Eu acredito que, de alguma forma, isso tudo está servindo para mudar o pensamento das pessoas. É um momento de muita reflexão, em que estamos aprendendo a valorizar coisas que antes não valorizávamos.

Segue, então, fazendo sua parte.

– Ser enfermeira é cuidar, ajudar o próximo. E ajudar é muito bom!

 

Fotos: arquivo pessoal

 

 

*Quer traduzir essa história em libras?
Acesse o site VLibras, que faz esse serviço sem custos:
https://vlibras.gov.br/

 

Mostrando 6 comentários
  • Claudemir Oliveira
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    Parte dessa trajetoria linda da Roberta nós podemos acompanhar de perto, e posso testemunhar a veracidade das narrativas aqui apresentadas. Quantos eventos em família nossa “Beta” (é assim que carinhosamente a chamamos) chegava, participava um pouquinho, porque fazia questão de estar presente, mas logo arrumava um cantinho pra dormir e descansar um pouco da rotina de dois, as vezes três, empregos. Hoje colhe merecidamente os frutos de tanto esforço, mas, principalmente, de muita competência e muita dedicacao. Essa soma de fatores associada a uma postura Ética inabalável somente pode resultar nessa trajetória de sucesso inquestionável. Parabéns Beta, pelo reconhecimento do seu trabalho, e obrigado pela prontidão em ajudar a cuidar de todos nós.

  • Roberta Ferreira
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    Minha chará querida. Sinto muita honra e orgulho de trabalhar com você! Obrigada pela União e parceria. Conte comigo sempre.

  • Fabiana Almeida da Silva
    Responder

    Roberta quanto felicidade sinto em lê sua história, mulher guerreira, apaixonada pela sua profissão, tenho muito orgulho em dizer que voçê foi minha chefe de enfermagem, uma pessoa humana é dedicada no que faz ,meus parabéns…

  • Daniela Thomazini Moro
    Responder

    Linda trajetória, parabéns!

  • José Jaime De Oliveira
    Responder

    Lindo exemplo de persistência e vontade de vencer, que esta história seja realmente um caminho de força e coragem pra outras pessoas que lutam como lutou a Roberta!
    Obs: e que profissão linda vc escolheu. Parabéns e que Deus abençoe sua vida de forma muito especial. Abs

  • Cleber Henrique Gomes
    Responder

    Parabéns minha amiga fico feliz de ter participado de suas conquistas e ter trabalho com vc uma profissional maravilhosa que não mede esforcos.Suscesso sempre.

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